Publicado por: Roberto Barros | 10/11/2009

Você sabe orar?

Ao acordar pela manhã não se esqueça da prece.
Você estará iniciando um novo dia, uma nova etapa em sua evolução.

Qual é o melhor lugar para se orar?
No Evangelho, em João, capitulo 4, conta-se que Jesus, falando com uma mulher samaritana sobre o local onde Deus deve ser adorado, lhe disse: “Mulher, podes crer-me, que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.” (…) “Deus é espírito; e importa que seja adorado em espírito e em verdade”.

Vemos assim, que não são necessários templos ou lugares especiais para se adorar Deus.

O melhor de todos os templos é a intimidade do coração, a igreja da alma, onde no silêncio da meditação e da prece podemos sintonizar com faixas mais elevadas e nutrir nosso espírito com energias superiores.

Que é mais importante, freqüentar a igreja, o centro espírita, fazer novenas e orações, ou tornar-se uma pessoa melhor?
De que adianta adentrarmos os templos da nossa fé, se trazemos a mente carregada de maus pensamentos; se o coração não perdoa e as emoções ficam girando em torno dos interesses materiais e das paixões inferiores?

Jesus foi muito claro ao dizer: “Antes de entrares no templo para fazeres tua oferenda, vai e reconcilia-te com teu inimigo”. Isto significa que para entrarmos em contato com as forças mais altas devemos primeiro limpar o coração de todos os ódios, das mágoas e das sujeiras que ali desenvolvemos com nossas atitudes egoístas e antifraternas.

Se fazemos, diariamente a limpeza da nossa casa, deveríamos também limpar continuamente a nossa moradia espiritual, nosso interior. Somos sempre visitados por mensageiros divinos, os bons espíritos, e eles nos enxergam por dentro, percebendo nossos sentimentos e pensamentos mais secretos, assim como o lixo que acumulamos através da nossa conduta. Também é preciso aprender a orar, não abusando das sublimes dimensões da prece.

Que podemos entender por abusar da prece?
Abusamos da prece quando ficamos desfiando orações decoradas, recitadas, de forma automática; quando fazemos pedidos mesquinhos, egoístas e antifraternos, e quando prometemos algo a Deus ou a seres superiores em troca dos seus favores.

Orações decoradas também têm seu valor.
Quando nossa estrutura espiritual está muito carregada de materialidade, ou de energias incompatíveis, fica difícil conseguirmos sintonizar com faixas espirituais mais elevadas. Nessas situações, e conforme o caso, a prece decorada pode ajudar desde que o pensamento e a emoção estejam continuamente fixos nas idéias que ela vai apresentando. Essa conexão contínua da emoção e do pensamento com idéias de elevado teor espiritual possibilita a eliminação de parte dessa materialidade, deixando surgir a religiosidade.

Deus nos ajuda na medida das nossas necessidades e a maior importância da prece está no bem que ela nos faz. Ela nos torna receptivos, dinamiza nossa fé e nos permite sintonizar com faixas mais altas. É por esses canais que os espíritos benfeitores nos inspiram em nome do Pai, ajudando-nos das mais diversas formas, sempre que isto for permitido.

A oração, para produzir efeito, precisa sair das profundezas da alma, em alta vibração de fé e amor, conduzindo pedidos legítimos. Também não é preciso falar muito, apenas o necessário para expor o que se pretende, aliás, nem falar seria preciso, porque Deus sabe melhor que nós do que mais estamos necessitando. O ato de falar é para podermos arrumar nossos pensamentos, visualizar nossas necessidades, dinamizar e direcionar as energias envolvidas na súplica.

Que tipo de pedidos pode ser considerado legítimo?
Podemos e devemos pedir ajuda a Deus nas horas da dificuldade e nos momentos de aflição, assim como, agradecer-lhe por tudo que a vida nos dá. Também podemos orar pedindo proteção e orientação para nossas vidas. Mas a melhor das preces é aquela em que solicitamos ao Senhor da Vida ajuda para conseguirmos vencer nossas imperfeições e desenvolver valores como a fraternidade, a honestidade, a justiça e a paz.

Outra rogativa benéfica é quando pedimos por outras pessoas, principalmente por aquelas que não estão ligadas a nós por laços de afeto ou quaisquer interesses. É quando oramos pelos que sofrem, pelo doente anônimo, pelos viciados e os criminosos; é quando pedimos ao Senhor da Vida pela paz na Terra, pela justiça social, pela fraternidade entre todos, e também por aqueles que governam, para que governem melhor.

Como seria uma prece melhor ou “mais forte”?
Para falar com Deus não precisamos recitar preces bonitas nem frases rebuscadas. Ele não se importa com isso, mas sim com a sinceridade dos nossos corações e com os esforços que fazemos para cumprir Sua Lei. Assim, é preferível conversarmos com Deus com a singeleza da nossa fala e a sinceridade da nossa alma, do que ficarmos a recitar orações elaboradas por outros.

Há algum valor nas promessas, dessas que são feitas aos santos e mesmo a Deus?
Há promessas benéficas quando se promete abandonar um vício ou praticar algo realmente bom. Mas mesmo assim, reflete imaturidade.
Muitas pessoas fazem uma promessa mais ou menos nestes termos: “Meu querido santo fulano… se me deres tal coisa, prometo acender uma vela do meu tamanho diante da tua imagem”.
Mas será que esses seres superiores vendem sua ajuda?
Sentirão prazer com velas ou outro tipo de promessas ou oferendas?
Será que o Soberano Senhor nos vende suas bênçãos? Ou pagamos nós pela luz do Sol, pela chuva, ou os pássaros e as flores que enfeitam e alegram nossa vida? Será que damos algo em troca do céu azul ou das noites estreladas, do murmúrio do vento ou dos sons da vida que dão contentamento ao coração? Pagamos algo pela faculdade da visão, da fala ou da audição? Podemos acaso comprar a amizade ou o amor, que são o fundamento e a própria razão do existir?

É preciso ter merecimento para pedir ajuda a Deus?
Sempre podemos pedir ajuda a Deus. Para isso não é necessário que sejamos “bons”, ou que estejamos cumprindo Suas leis. Mas quando a aflição nos alcança e nos dirigimos ao Alto em busca de ajuda, esse ato deve também representar um momento de reflexão, de perguntas a nós mesmos, sobre a forma como estamos conduzindo nossas vidas. Da mesma forma é importante tomarmos decisões no sentido de nos tornarmos merecedores, ante as forças superiores.
A dor e o sofrimento não são castigos de Deus. Às vezes representam resgate de más ações praticadas no passado; de outras, são avisos que a vida nos dá para mudança de rumos.

É claro que o merecimento também é um fator importante, tanto que Jesus dizia: “A cada um será dado de acordo com suas obras”.
Orar é abrir nosso interior para a luz de Deus, é falar com o Pai, com o profundo amor e respeito que Lhe devemos.
Conta-se que um velho escravo tinha muita vontade de entrar na capela da fazenda, mas isto era proibido. Ele conhecia a história de Nosso Senhor e amava muito aquele Sinhôzinho branco, tão bom que havia morrido na cruz, pelo amor que tinha por todas as pessoas.
Nos dias de domingo, quando a capela se enchia de gente, o velho escravo ajoelhava-se em meio ao matagal e, olhando de longe aqueles vitrais coloridos, a cruz ao alto, tirava o chapéu com muita humildade e respeito, dizendo: “Meu Sinhôzinho Jesus Cristo, nego veio tá qui…”
Sem dúvida o Mestre ouvia a prece do velho escravo, envolvendo seu coração em júbilo e paz.
Mas será que Ele ouvia as orações orgulhosas, frias e decoradas da maioria dos que lotavam a capela?

Com que freqüência devemos orar?
Não há limites nem quantidades para a prece, mas sempre é benéfico um contínuo ligar-se espiritualmente às faixas mais nobres da vida; não tanto o pedir, mas principalmente o ligar-se, elevar-se, alargar as próprias fronteiras espirituais, extrapolar as dimensões interiores e sintonizar com os ambientes vibratórios mais elevados, mais nobres, com as faixas de pensamento superior.

A oração pode ser formulada com palavras, mas pode também dispensá-las, bastando abrir o mundo interior para o Alto, assim como a flor que se abre para a luz solar, beneficiando-se com seus raios e irradiando ao mesmo tempo sentimentos de amor e gratidão ao Senhor da Vida.

A oração gera forças incalculáveis dentro de nós e, quando vibra nas faixas do amor, produz o mais elevado teor vibratório que somos capazes de alcançar. E é oportuno lembrar que essa elevação do teor vibratório possibilita a “queima” de energias negativas do nosso sistema energético.

A importância da prece tem sido constatada em várias pesquisas científicas, provando o quanto ajuda na cura de enfermos. Mas pouco vale alguém desfiar rosários de orações, se o pensamento e o sentimento não estiverem juntos, se não vibrarem em uníssono com as palavras da prece.

Fonte: www.mundoespiritual.com.br

Publicado por: Roberto Barros | 10/11/2009

Frases e provérbios para o bem viver

Reflita sobre cada uma dessas frases e aplique-as a sua vida. Depois da tormenta, sempre vem a bonança.

21Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade.
John Lennon

20Sua Maturidade começa a crescer quando você começa a perceber que sua preocupação com os outros é maior que com si mesmo
John Lennon

19Quando fizeres algo nobre e belo e ninguém notar, não fique triste. Pois o sol toda manhã faz um lindo espetáculo e no entanto, a maioria da platéia ainda dorme…
John Lennon

18Felicidade: é ter o que fazer.
Jô Soares

17Para a treva só há um remédio, a luz.
Monteiro Lobato

16Sonhar é acordar-se para dentro.
Mario Quintana

15 - Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido
Dalai Lama

14 – Aquele que crê em mim nunca estará sozinho.
Jesus Cristo

13 - Sem que teu pensamento se purifique e sem que a tua vontade comande o barco do organismo para o bem, a intervenção dos remédios humanos não passará de medida em trânsito para inutilidade.
Francisco Cândido Xavier – ditado pelo espírito Emmanuel

12O pessimista reclama do vento, O otimista espera que ele mude. O sábio ajusta as velas.
John Lennon

11Não prever, é já lamentar.
Leonardo da Vinci

10 - A maioria não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, qual se Jesus desempenhasse simples função de pajem subordinado aos caprichos de cada um.
Francisco Cândido Xavier – ditado pelo espírito Emmanuel

9Lágrimas não são argumentos.
Machado de Assis

8Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
Luís Vaz de Camões

7 - Dirigimo-nos aos que vêem no Espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o mundo invisível um passatempo.
Allan Kardec

6É melhor, muito melhor, contentar-se com a realidade; se ela não é tão brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir
Machado de Assis

5Não precisa correr tanto, o que é seu às mãos lhe há de vir…
Machado de Assis

4A vida bem preenchida torna-se longa.
Leonardo da Vinci

3- Aquele que crê em mim nunca estará sozinho.
Jesus Cristo

2Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai se não por mim.
Jesus Cristo

1Para isto eu nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade; todo o que está pela verdade, ouve a minha voz.
Jesus Cristo

Publicado por: Roberto Barros | 09/11/2009

Pensar tem consequências físicas

Tudo o que pensamos ou deixamos de pensar tem a ver com doença ou saúde

“Teus órgãos são vivos e educáveis. Sem que teu pensamento se purifique e sem que a tua vontade comande o barco do organismo para o bem, a intervenção dos remédios humanos não passará de medida em trânsito para a inutilidade”
EMMANUEL – Psicografado por Francisco Cândido Xavier

O sistema imunológico tem que se defender ante o ataque constante a que se vê acometido. Se lhe parece que as bactérias assassinas, as enfermidades gerais e as gripes malignas são perniciosas, você se surpreenderá quando souber que as pesquisas médicas e científicas concluíram que o inimigo mais temido pelo organismo. Não são os micróbios, mas OS PENSAMENTOS e as palavras de cada dia.

A ciência descobriu que quando se tem um pensamento o cérebro produz substancias que abrem o que se poderia chamar de janela para a atuação dos sentimentos. Quando o pensamento é concluído, a janela se fecha.

Por exemplo, quando vê a pessoa amada, essa sensação incrível que percorre o corpo não é outra coisa que uma substância química. Quando se excita sexualmente o seu corpo é levado a liberar outra substância química, e quando um alguém tenta lhe assaltar, e vem a vontade de reagir a “ira” é ácido corrosivo que aparece no sistema circulatório, no estômago, essa sensação, é outra substância enviada pelo cérebro.

O pensamento produz no cérebro substâncias que afetam a pessoa, e o que ela sente é produzido pela assimilação de substâncias segregadas pelo cérebro chamadas de neuropeptídeos, que através do sistema imunológico defende o corpo de bactérias, vírus, fungos, parasitas, câncer e de todas as enfermidades.

O cérebro só cria a doença que conhece e nosso temor em ter uma doença é o precursor da criação dela. Somos responsáveis pelos nossos sentimentos mais interiores. As palavras nos afetam mais do que armas. Uma ofensa pode nos matar, porque tudo isso deprime nosso sistema imunológico que “escuta” nossos monólogos internos, raivas, mágoas, as ofensas que escutamos o amor que nos negamos, enquanto nenhuma célula ou órgão do organismo monitore e  responda com uma ação concreta a estas pragas danosas as quais vão se acumulando no órgão que estiver mais fraco

A resposta do sistema imunológico está condicionada ao pensamento!
O sistema imunológico não só escuta, mas reage de acordo com o pensamento a este diálogo emocional. Pensamentos bons trazem saúde. Há um nutriente de efeitos terapêutico mais eficaz que as vitaminas, os minerais, as enzimas, os remédios naturais e as ervas medicinais. O AMOR.

E a resposta do nosso organismo aos germes patógenos ou ofensas, varia dependendo de que se fortaleça ou debilite o amor por nos mesmos que dará força a nosso sistema imunológico para nos defender e nos manter saudáveis

Tudo o que fazemos ou deixamos que nos façam, têm consequências físicas

Portanto, ame a si mesmo e viva positivamente!

Baseado na apresentação do Dr. Richard Schulze – Common Sense Health and Healing

Publicado por: Roberto Barros | 09/11/2009

Exercício para o treinamento da concentração

São práticas sistematizadas, que visam treinar o aprendiz na utilização da sua capacidade de fixação da atenção. Há inúmeros exercícios que podem ser pesquisados nos livros que tratam do assunto. Para nosso estudo, daremos cinco exemplos.

Concentração Visual
Dentre os vários exercícios de concentração visual, o quadro espiral colorido, que consta das cores dourado, vermelho, verde, amarelo e lilás, é o mais eficaz por sua objetividade e simplicidade.

Técnica – Focalizar a visão no centro do desenho e depois deslocá-la horizontalmente para as duas extremidades, simultaneamente, mantendo os olhos na mesma cor. Posteriormente, voltar da periferia para o centro, sempre acompanhando a mesma cor. Repetir o exercício para todas as cores, sendo a observação, em uma cor de cada vez. NOTA: a memorização das cores dá ensejo à prática da cromoterapia.

Concentração Intelectual
Assista à exposição ou leia um texto e, posteriormente, fale ou escreva a respeito.Tempo de duração: um a três minutos.

Concentração Auditiva
Ouça atentamente uma música orquestrada e discrimine os diferentes sons dos instrumentos.

Concentração Olfativa
Em estado de relaxamento e concentração, estando de olhos fechados, diferencie os vários aromas que lhe são apresentados a certa distância do nariz.

Concentração Imaginativa
Imagine uma seqüência de representações mentais, obedecendo a uma historieta que lhe é contada.
Procure participar ativamente do que lhe é dito, sentindo e identificando-se com os acontecimentos sugeridos. Exemplos: presença e aproximação de Cristo numa dada paisagem.

OBSERVAÇÃO: cada uma destas formas de concentração exercita, fortalecendo a própria capacidade concentrativa. Ao final de algumas vezes, o aprendiz estará mais apto a fixar a sua atenção em sons, palavras, conceitos, odores, objetos e imagens. Em suma, mais capaz de dirigir a sua atenção e fixá-la por muito mais tempo, num determinado objeto mentalmente representado.

CONCLUSÕES
De todos os ensinamentos contidos nestas instruções, depreende-se claramente que a concentração em ação é a maior força de que o homem dispõe para a conquista de seus ideais.

A concentração é a flor, a ação é o fruto; em nada concentrar seria como florescer sem frutificar.

Dirigir a concentração conforme queremos, não é tão simples como à primeira vista parece, pois tropeçamos com as dificuldades de manter a atenção sobre um objeto. Porém, podemos aprender a utilizar as grandes forças que existem em nós e a utilizá-las com o maior efeito possível. À medida que as usamos aumentam sua potência, até que com surpresa e alegria, veremos que possuímos grande poder de concentrar e servir.

Fonte: Elaborado por Ricardo Mazzonetto com a colaboração de José Vitorino do Nascimento. Antonio Francisco Rasga e Sérgio Biagi Gregório. Centro espírita Ismael – Departamento de ensino doutrinário

Publicado por: Roberto Barros | 09/11/2009

Treinamento da concentração

É um conjunto de práticas que ajudam a desenvolver a capacidade de concentração. Há cinco conceitos básicos a serem seguidos, os quais contêm várias práticas:

Consciência da Concentração
A) Aquisição de informações sobre a concentração:
No momento em que se sabe como se concentrar, torna-se mais fácil a tarefa de concentração, pois o conhecimento “é a luz que ilumina” o caminho do homem;
B) Percepção da desatenção no momento da concentração:
É comum, na prática da concentração, a ocorrência da desatenção involuntária. Com a percepção desses momentos, torna-se mais fácil a correção desses erros.

Relaxamento
O relaxamento é uma prática psicossomática, que permite a cada um adentrar no estado eutonia, isto é, de equilíbrio, das tensões físicas e mentais. Serve, portanto, para ajudar na elaboração de um estado geral de equilíbrio, que favorece a obtenção de uma maior concentração. Isto se dá porque quando um indivíduo está tenso, agitado ou perturbado emocionalmente, bem como rígido ou ainda sentindo dores físicas, não consegue na sua plenitude, ligar-se ao objeto da concentração. Assim sendo, para que haja um relaxamento integral, são necessários que se atinjam os três aspectos que compõem totalidade psicossomática: corporal, emocional e intelectual.

1.ª Fase – Corporal
Aqui se pretende conseguir um equilíbrio do tônus (tensão) muscular.
É necessário para que o indivíduo consiga livrar-se das dores tensionais, tendo as condições básicas para o descanso e equilíbrio interno.
Técnica – Concentrar-se em cada parte do corpo, gradativamente, auto sugerindo a descontração de cada uma dessas partes. Convém começar numa parte do corpo, por exemplo, a cabeça ou os pés e ir até a outra extremidade. Ao final, perceber todo o organismo nesse mesmo estado.

2.ª Fase – Emocional
Nesta fase deseja-se o estabelecimento do equilíbrio afetivo-emocional, dando tranqüilização ao espírito. Com o restabelecimento paz interior a mente se aquieta e com isso tornam-se muito simples a tarefa de concentração.
Técnica – Induzir a respiração com movimentos abdominais, lenta e compassadamente, de forma idêntica à que acontece durante o sono normal.

3.ª Fase – Intelectual
Nesta etapa o que se pretende é a manutenção da mente num estado de maior quietude, no qual são evitados os pensamentos contínuos que, normalmente, povoam o quadro mental das pessoas.
Técnica – Fixar a atenção numa imagem, som, ponto ou sensação orgânica (tal como a respiração), sempre sugerindo a calma, a mansuetude e o equilíbrio. Isto dá condições para que se rompam alguns “círculos viciosos” do pensamento ou idéias fixas, que caracterizam o próprio monoideísmo.

Auto-Análise (Autoconhecimento)
Visa, sobretudo, dar condições para que cada pessoa possa livrar-se de preocupações e ansiedades que, normalmente, prejudicam o exercício da concentração.
Técnica – Iniciar esta prática com perguntas, tais como:
- o que estou sentindo agora?
- o que espero?
- o que desejo?
- o que estou fazendo?
- o que evito?
Todas elas devem ser feitas, com o sentido voltado exclusivamente para o momento presente.
A partir dessa conscientização, torna-se possível e até necessário, o controle das emoções e desejos, com o afastamento, pelo menos momentâneo, das preocupações. A auto-análise pode ser de dois tipos, a saber:

Referente aos problemas vitais
Vários são os problemas que afligem a nossa existência.
São dificuldades familiares, sexuais, religiosas, econômicas, sociais etc. Cada um de nossos problemas possui uma carga afetivo-emocional determinada, mais ou menos controlada, que no seu conjunto geram um grau maior de perturbação na existência.

A nossa perturbação vital é conseqüência do acúmulo de nossos problemas vitais. Uma pessoa tem alguns ou vários problemas não resolvidos sofre de uma carga afetivo-emocional mais ou menos intensa. Isto gera preocupações constantes, que podem ocorrer até no momento da concentração, prejudicando-a na prática dessa atividade.

A resolução dessa problemática se dá através da conscientização. Esta ocorre pela percepção dos sentimentos, atitudes e desejos. A indagação já mencionada anteriormente gera uma descarga ou “desabafo” das emoções reprimidas. Com isto a pessoa torna-se mais calma, tendo condições de refletir eficazmente sobre os seus problemas, alcançando as soluções necessárias. Este processo determina uma afetividade mais controlada, propiciando um maior controle vital, que se caracteriza pela diminuição, ausência ou maior domínio dos problemas existencial.

Nos momentos que antecipam a concentração
Um pouco antes do indivíduo se concentrar, é aconselhável que se perceba melhor, adquirindo consciência do que sente. Com esta conscientização poderá vir a ter um maior domínio de si na situação, auxiliando na sua concentração.  Poderá, ainda, afastar-se do trabalho de concentração, se as suas condições forem tais que lhe seja impossível a sua prática.

Concentração Motivada
A experiência mostra-nos que quando há motivação fica muito mais fácil, a qualquer pessoa, concentrar-se em determinado objeto. Por exemplo, a leitura de um livro que se tem interesse.
Técnica – Prestar atenção, pensar e fazer do interesse do aprendiz.

Adaptação Gradativa
É a adaptação gradativa aos estímulos ambientais, que torna a tarefa da concentração muito mais fácil.
A) Sons e ruídos com intensidade variada. É a adaptação sonora do organismo.
B) Toques na superfície do corpo. É a acomodação aos estímulos táteis.
C) Iluminação inadequada (forte ou fraca). É a adaptação aos estímulos luminosos.

OBSERVAÇÃO: cada prática implica na utilização de uma ou mais técnicas. Exemplificando: poderemos ter uma técnica de “concentração motivada”, mas várias de adaptação gradativa.

Fonte: Elaborado por Ricardo Mazzonetto com a colaboração de José Vitorino do Nascimento. Antonio Francisco Rasga e Sérgio Biagi Gregório. Centro espírita Ismael – Departamento de ensino doutrinário

Publicado por: Roberto Barros | 09/11/2009

Concentração

Como nos tempos mais recuados das civilizações mortas, temos de reafirmar que a maior necessidade da criatura humana ainda é a do conhecimento de si mesma
Emmanuel – (Consolador)

“Fazer brilhar o cérebro não é difícil: basta uma boa memória e uma biblioteca à disposição; difícil é fazer brilhar o coração”
Chico Xavier

Definição de concentração
É um estado mental caracterizado pela fixação da atenção em relação a um objeto. A palavra objeto utilizada aqui, refere-se a tudo aquilo que pode ser vivenciado pela mente humana: coisas, pessoas, idéias, sentimentos, sensações, interesses, visões e demais experiências do gênero.

Características da concentração
Seu processo caracteriza-se pela fixidez da atenção num determinado conteúdo psíquico. Só ocorre plenamente, quando a mente consegue livrar-se de todas as sensações provocadas por estímulos externos e das vivências interiores, que não tem nenhum tipo de relação com o objeto da concentração. Para que haja concentração é necessário que ocorra atenção e silêncio interior.

Determinação da concentração
A determinação da concentração é dada por um interesse por parte do indivíduo, em integrar-se ao objeto da concentração e compreendê-lo a fundo. Essa compreensão é dada quando o percebedor sente o objeto, na sua integração com o mesmo. Portanto, sua determinação é dada pela motivação de se integrar e sentir a algo ou alguém.

Fatores contrários à concentração
São aqueles fatores que impedem ou dificultam a concentração. Dividem-se em externos e internos.

Fatores Externos:
1 – ruídos e sons em tome elevado ou que perturbem quem se concentra;
2 – toques físicos provocadores de dor ou prazer;
3 – iluminação inadequada: forte ou fraca, ao que se está fazendo;
4 – envolvimento espiritual perturbador.

Fatores Internos:
1 – tensões e dores físicas que perturbem a concentração;
2 – distração inconsciente, não percebida, que ocorre nos momentos de concentração;
3 – cansaço gerando a necessidade de repouso;
4 – falta de informações de como se concentrar;
5 – indisciplina interior fazendo com que o indivíduo se ocupe de muitos pensamentos ao mesmo tempo, impedindo-o de atingir determinado fim;
6 – perturbações afetivo-emocionais dadas por problemas pessoais, que levam o indivíduo a preocupar-se ou ficar ansioso nos momentos de concentração;
7 – sentimento de tédio durante a prática da concentração, fazendo com que o indivíduo faça uso naturalmente de sua imaginação.

Fonte: Elaborado por Ricardo Mazzonetto com a colaboração de José Vitorino do Nascimento. Antonio Francisco Rasga e Sérgio Biagi Gregório. Centro espírita Ismael – Departamento de ensino doutrinário

Publicado por: Roberto Barros | 09/11/2009

Um mergulho no Evangelho – PARTE IV

Sócrates e Platão, precursores da idéia cristã e do espiritismo. OS ESSÊNIOS E JESUS CRISTO:

Diz a Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo que “as grandes idéias nunca irrompem de súbito.

As que assentam sobre a verdade sempre tem precursores que lhes preparam parcialmente os caminhos. Depois, em chegando o tempo, envia Deus um homem com a missão de resumir, coordenar e completar os elementos esparsos, de reuni-los em corpo de doutrina. Desse modo, não surgindo, bruscamente, a idéia, ao aparecer, encontra espíritos dispostos a aceita-la.”

Foi exatamente assim que aconteceu com a idéia cristã, que, muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, foi precedida por Sócrates e Platão. Os essênios eram uma seita judaica fundada cerca de 150 anos antes de Jesus, cujos membros habitavam uma espécie de mosteiro e formavam, entre si, uma associação moral e religiosa. Destacavam-se pelos costumes brandos e grandes virtudes, ensinando o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição.

Como o gênero de vida que levavam e os princípios morais que professavam eram muito semelhantes aos dos primeiros cristãos, muitas pessoas levantaram a hipótese de que Jesus, antes de dar início a sua missão, teria pertencido à seita dos essênios.

A esse respeito, diz Emannuel: “O Mestre, (…), não obstante a elevada cultura das escolas essênias, não necessitou da sua contribuição. Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era com a superioridade que o planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio.”

SÓCRATES E JESUS CRISTO:
Estabelecendo uma comparação entre Sócrates e Jesus, é fácil perceber algumas semelhanças bem interessantes: Nenhum dos dois deixou qualquer escrito e, para conhecê-los, foi preciso confiar nas imagens e impressões que deixaram em seus discípulos e contemporâneos. Ambos eram mestres da retórica e tinham tanta autoconfiança no que diziam que podiam tanto arrebatar quanto irritar seus ouvintes.

Eram considerados tão carismáticos quanto enigmáticos, pois ambos acreditavam falar em nome de uma coisa que era maior do que eles mesmos. Assim como Jesus, acusado pelos fariseus de estar corrompendo o povo com seus ensinamentos, também Sócrates foi acusado, pelos fariseus do seu tempo – eles existiram e existem em todas as épocas – por proclamar o dogma da unidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura.

Ambos desafiavam agudamente os que detinham o poder na sociedade, apontando sem medo, as hipocrisias e falsos fundamentos em que se assentavam para cometer todo tipo de abusos ou injustiças. Assim, ambos foram considerados subversivos e perigosos e tiveram a morte digna dos criminosos, afinal, os que questionam serão sempre perigosos para os poderosos e pseudo-sábios de todas as eras.

Este foi apenas um pequeno paralelo entre as duas doutrinas, para mostrar sua concordância com os princípios do Cristianismo e provar que, se Sócrates e Platão pressentiram e precederam a idéia cristã, muito antes dos essênios e de Jesus, em sua doutrina também se encontram retratados os princípios fundamentais do Espiritismo.

Em função de muitas semelhanças, achamos importante retratar aqui, o “Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão”, do “Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, Parte IV”, para que possamos identificar, cada um dos princípios fundamentais do Espiritismo, nela contida.

RESUMO DA DOUTRINA DE SÓCRATES E PLATÃO:
I- “O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia unida aos tipos primordiais, às idéias do verdadeiro, do bem do belo; separa-se deles, encarnando, e, recordando o seu passado, é mais ou menos atormentada pelo desejo de voltar a ele.”

É possível destacar aqui, de maneira bem clara, a idéia da distinção e independência entre o princípio inteligente e o princípio material. Além disso, aqui está a doutrina da preexistência da alma; da vaga intuição que ela carrega de um outro mundo, ao qual deseja retornar; da sua saída do mundo espiritual para encarnar e, posteriormente, seu retorno a esse mesmo mundo, após a morte, por sua sobrevivência além do corpo. Eis assim, o “gérmen da doutrina dos Anjos decaídos”.

II - “A alma se transvia e perturba, quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; tem vertigem, como se estivesse ébria, porque se prende a coisas que estão, por sua natureza, sujeitas à mudanças; ao passo que, quando contempla a sua própria essência, dirige-se para o que é puro, eterno, imortal, e sendo ela dessa natureza, permanece aí ligada, por tanto tempo quanto possa. Cessam então os seus transviamentos, pois que está unida ao que é imutável e a esse estado da alma é que se chama sabedoria.”

Já dizia Platão que, todo homem que considera as coisas sob o ponto de vista material, apegando-se às coisas terrenas, ilude-se a si mesmo. Para apreciá-las da maneira correta, é preciso vê-las sob o ponto de vista espiritual. E só aquele que consegue isolar a alma do corpo, para enxergar com os olhos do Espírito, está de posse da verdadeira sabedoria.

III - Enquanto tivermos o nosso corpo e a alma se achar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade. Com efeito, o corpo nos suscita mil obstáculos pela necessidade em que nos achamos de cuidar dele. Ao demais, ele nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, impossível se nos torna ser ajuizados, sequer por um instante. Mas, se não nos é possível conhecer puramente coisa alguma, enquanto a alma nos está ligada ao corpo, de duas uma: ou jamais conheceremos a verdade, ou só a conheceremos após a morte. Libertos, da loucura do corpo, conversaremos então, lícito é esperá-lo, com homens igualmente libertos e conheceremos, por nós mesmos, a essência das coisas. Essa a razão por que os verdadeiros filósofos se exercitam em morrer e a morte não se lhes afigura, de modo nenhum, temível.”

Aqui está o princípio das faculdades da alma obscurecida pelos órgãos corporais e da expansão da alma já liberta dos limites da matéria.

IV - A alma impura, nesse estado, se encontra oprimida e se vê de novo arrastada para o mundo visível, pelo horror do que é invisível e imaterial. Erra, então, diz-se, em torno dos monumentos e dos túmulos, junto aos quais já se tem visto tenebrosos fantasmas, quais devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estarem ainda inteiramente puras, que ainda conservam alguma coisa da forma material, o que faz que a vista humana possa percebê-las.

Não são as almas dos bons; são, porém, a dos maus, que se vêem forçadas a vagar por esses lugares, onde arrastam consigo a pena da primeira vida que tiveram e onde continuam a vagar até que os apetites inerentes à forma material de que se revestiram as reconduzam a um corpo. Então, sem dúvida, retomam os mesmos costumes que durante a primeira vida constituíam objeto de suas predileções.

Este tópico expressa mais alguns princípios fundamentais do Espiritismo: o princípio da reencarnação e o estado em que se encontram as almas que ainda se mantém sob o poder da matéria. Afirma ainda que a reencarnação em um corpo carnal é uma conseqüência da impureza da alma e uma chance de aperfeiçoamento, pois cada existência lhe proporciona um progresso intelectual e moral, através da bagagem de conhecimentos adquiridos. Daí a “doutrina das idéias inatas”.

V- Após a nossa morte, o gênio (daimon, demônio), que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reúnem todos os que tem de ser conduzidos ao Hades, para serem julgados. As almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múltiplos e longos períodos.

Eis aqui a doutrina dos Anjos Guardiães ou Espíritos protetores, e das reencarnações sucessivas, que seguem intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

VI- Os demônios ocupam o espaço que separa o céu da terra; constituem o laço que une o Grande Todo a si mesmo. Não entrando nunca a divindade em comunicação direta com o homem, é por intermédio dos demônios que os deuses entram em comércio e se entretêm com ele, quer durante a vigília, quer durante o sono.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a palavra daimon, de onde se encarregaram de criar o termo demônio, nunca foi, na Antiguidade, tomada com o sentido negativo que carrega nos tempos modernos. Não tratava, exclusivamente, de seres do mal, mas dos Espíritos em geral, dentre os quais se destacavam os Espíritos Superiores, também chamados de deuses, e os menos evoluídos, os demônios propriamente ditos. Eram esses Espíritos que se comunicavam diretamente com os homens.

Coloquem, no lugar da palavra demônio, a palavra Espírito, e teremos a Doutrina Espírita. Usando a palavra anjo, teremos a Doutrina Cristã. Neste tópico da doutrina de Platão, destacam-se, também, alguns dos fundamentos do Espiritismo: os Espíritos povoam o espaço; Deus só se comunica com os homens por intermédio de Espíritos puros, encarregados de lhes transmitirem as vontades divinas; os Espíritos podem se comunicar com os homens, tanto durante a vigília quanto durante o sono.

VII- A preocupação constante do filósofo (tal como o compreendiam Sócrates e Platão) é a de tomar o maior cuidado com a alma, menos pelo que respeita a esta vida, que não dura mais que um instante, do que tendo em vista a eternidade. Desde que a alma é imortal, não será prudente viver visando a eternidade ?

O que se pode ressaltar deste tópico é que o Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.

VIII – Se a alma é imaterial, tem de passar, após essa vida, a um mundo igualmente invisível e imaterial, do mesmo modo que o corpo, decompondo-se, volta à matéria. Muito importa, no entanto, distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se alimente, como Deus, de ciência e pensamentos, da alma mais ou menos maculada de impurezas materiais, que a impedem de elevar-se para o divino e a retém nos lugares da sua estada na Terra.

É possível perceber que Sócrates e Platão compreendiam bem os diferentes graus de desmaterialização da alma, e insistiam nas diferentes situações que resultam na sua maior ou menor pureza. O que eles diziam, por intuição, o Espiritismo se encarrega, hoje, de provar com inúmeros exemplos.

IX- Se a morte fosse a dissolução completa do homem, muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vícios. Aquele que guarnecer a alma, não de ornatos estranhos, mas com os que lhe são próprios, só esse poderá aguardar tranqüilamente a hora da sua partida para o outro mundo.

O materialismo, proclamando o “nada” para depois da morte, anula toda a responsabilidade moral da vida presente, sendo, conseqüentemente, um incentivo ao mal. Somente o homem que se libertou dos vícios, se desprendeu das garras do materialismo e se enriqueceu de virtudes, pode esperar com tranqüilidade pelo despertar na outra vida.

X- O corpo conserva bem impressos os vestígios dos cuidados de que foi objeto e dos acidentes que sofreu. Dá-se o mesmo com a alma. Quando despida do corpo, ela guarda, evidentes, os traços do seu caráter, de suas afeições e as marcas que lhe deixaram todos os atos de sua vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer ao homem é ir para o outro mundo com a alma carregada de crimes. Vês, Cálicles, que nem tu, nem Pólux, nem Górgias podereis provar que devamos levar outra vida que nos seja útil quando estejamos do outro lado. De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber do que cometer uma injustiça, e que, acima de tudo, devemos cuidar, não de parecer, mas de ser homem de bem. ( Colóquios de Sócrates com seus discípulos, na prisão.)

Destaca-se aqui, outro ponto importante, confirmado, hoje, pela experiência: a alma não depurada conserva idéias, tendências, o caráter e as paixões, que vivenciou na Terra.

Se analisarmos a frase “mais vale receber do que cometer uma injustiça”, vamos ver que ela é inteiramente cristã e foi também usada por Jesus, de forma figurativa, com a expressão: “Se alguém vos bater numa face, apresentai-lhe a outra.”

XI- De duas uma: ou a morte é uma destruição absoluta, ou é passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de extinguir-se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonho e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Todavia, se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para o lugar onde os mortos se tem de reunir, que felicidade a de encontrarmos lá aqueles a quem conhecemos ! O meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa outra morada e de distinguir lá, como aqui, os que são dignos dos que se julgam tais e não o são. Mas, é tempo de nos separarmos, eu para morrer, vós para viverdes. (Sócrates aos seus juízes.)

Segundo a Doutrina de Sócrates, todos os que viveram na Terra, se encontram e se reconhecem, depois da morte. Esse também é um dos princípios da Doutrina Espírita, onde as relações estabelecidas permanecem e, de forma alguma, a morte representa uma interrupção ou cessação da vida. Ao contrário, é uma passagem, uma transformação.

XII- Nunca se deve retribuir com outra uma injustiça nem fazer mal a ninguém, seja qual for o dano que nos hajam causado. Poucos, no entanto, serão os que admitam esse princípio e os que se desentenderem a tal respeito nada mais farão, sem dúvida, do que se votarem uns aos outros mútuo desprezo. Eis aí o princípio da caridade, que prescreve o perdão aos inimigos e condena a retribuição do mal pelo mal.

XIII- É pelos frutos que se conhece a árvore. Toda ação deve ser qualificada pelo que produz: qualifica-la de má, quando dela provenha mal; de boa, quando dê origem ao bem.

Essa frase “Pelos frutos é que se conhece a árvore”, encontra-se, inúmeras vezes, repetida, textualmente, nos Evangelhos.

XIV- A riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza não a ma a si mesmo, nem ao que é seu; ama a uma coisa que lhe é ainda mais estranha do que o que lhe pertence.

XV- As mais belas preces e os mais belos sacrifícios prazem menos à Divindade do que uma alma virtuosa que faz esforços por se lhe assemelhar. Grave coisa fora que os deuses dispensassem mais atenção às nossas oferendas, do que à nossa alma; se tal se desse poderiam os mais culpados conseguir que eles se lhes tornassem propícios. Mas, não: verdadeiramente, justos e retos só o são, os que, por suas palavras e atos, cumprem seus deveres para com os deuses e para com os homens.

XVI- Chamo homem vicioso, a esse amante vulgar, que mais ama o corpo do que a alma. O amor está por toda parte em a Natureza que nos convida aos exercícios da nossa inteligência; até no movimento dos astros o encontramos. É o amor que orna a Natureza de seus ricos tapetes; ele se enfeita e fixa morada onde se lhes deparem flores e perfumes. É ainda o amor que dá paz aos homens, calma ao mar, silêncio aos ventos e sono à dor.

A teoria de Platão sobre o amor universal, como Lei da Natureza, teve por conseqüência o amor que há de unir os homens por um laço fraterno. Sócrates foi considerado criminoso por afirmar que existe um grande Espírito que preside o amor universal, com a frase: “O amor não é nem um deus, nem um mortal, mas um grande demônio.”

XVII- A virtude não pode ser ensinada; vem por dom de Deus aos que possuem.

Segundo o Espiritismo, para ser encarada como um dom, a virtude carece de mérito para aquele que a conquista. Assim, aquele que a possui , fez por merecer com seus esforços, através de sucessivas existências, libertando-se, pouco a pouco, de suas imperfeições.

XVIII- É disposição natural em todos nós, a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos do que dos de outrem. Essa parece ser uma “particularidade” do ser humano, desde os tempos de Platão.

XIX – Se os médicos são mal sucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte deles passe bem.

A Doutrina Espírita fornece a chave das relações entre a alma e o corpo, provando a influência do espírito sobre a matéria. Como se pode ver, essa teoria não é nova, mas, infelizmente, só agora, em pleno Século XXI, a Medicina vem acordando para essa chamada “nova” proposta, com bons resultados.

XX- Todos os homens, a partir da infância, muito mais fazem de mal, do que de bem.

A sentença de Sócrates vem ao encontro da grave questão da predominância do mal sobre a Terra. Essa é uma questão praticamente sem solução, quando não se tem o conhecimento sobre a teoria, explicada pelo Espiritismo, da pluralidade dos mundos e da destinação do planeta terreno, habitado apenas por uma mínima fração da humanidade.

XXI- Ajuizado serás, não supondo que sabes, o que ignoras.

Esse tópico refere-se diretamente aqueles que criticam o que desconhecem. Platão complementa o pensamento de Sócrates, dizendo: “ Tentemos, primeiro, torná-los, se for possível, mais honestos nas palavras; se não o forem não nos preocupemos com eles e não procuremos senão a verdade Cuidemos de instruir-nos, mas não nos injuriemos.”

Essa deve ser também a atitude dos espíritas em relação a seus contraditores, tanto de boa quanto de má-fé. Se Platão, revivesse em pleno Século XXI, encontraria as coisas quase iguais ao seu tempo, e poderia fazer uso da mesma linguagem. Também Sócrates encontraria criaturas que zombariam de sua crença nos Espíritos e, com certeza, juntamente com Platão, seriam considerados loucos.

Por outro lado, se Sócrates e Platão tivessem conhecido os ensinamentos de Jesus, difundidos 500 anos mais tarde, e os divulgados, agora, pela Doutrina Espírita, a atitude seria a mesma e não teriam se expressado de outra forma.

Diz o “Evangelho segundo o Espiritismo” que “ Sócrates, Platão e os grandes filósofos daqueles tempos bem podem, depois que secundaram o Cristo na sua missão divina, ter sido dos escolhidos para esse fim, precisamente por se acharem, mais do que os outros, em condições de lhe compreenderem as sublimes lições; que, finalmente, pode dar-se façam eles agora parte da plêiade dos Espíritos encarregados de ensinar aos homens as mesmas verdades.”

Embora um pouco extenso, esse estudo teve, por principal objetivo, mostrar que nada surpreende, porque nada de novo existe. As idéias cristãs e o Espiritismo tiveram seus grandes precursores antes mesmo de Jesus Cristo. As Grandes Verdades são eternas e sempre foram conhecidas pelos Espíritos Superiores, antes mesmo deles chegarem à Terra. E, acreditemos ou não, foram eles que as trouxeram para cá!

Sugestão de estudo: Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução, Parte IV.
Um mergulho no evangelho – São textos publicados no blog Mediunidade e Apometria http://mediunidadeeapometria.blogspot.com/ e gentilmente cedidos para nossa coluna

Publicado por: Roberto Barros | 09/11/2009

Um mergulho no Evangelho – PARTE III

Notícias históricas introdução: Para uma melhor compreensão de algumas passagens dos Evangelhos, é preciso conhecer o significado de algumas palavras, que caracterizavam costumes da sociedade judaica, da época. Muitas dessas palavras têm sido, com freqüência, mal interpretadas, causando uma espécie de incerteza quanto aos seus verdadeiros sentidos.

Vamos assim, a um passeio pela História, para que possamos entender o papel de cada um dos personagens que faziam parte da sociedade dos tempos de Jesus.

Escribas: A princípio, escribas eram os secretários dos Reis de Judá e certos intendentes dos exércitos judeus. Posteriormente, o termo passou a ser usado para denominar, exclusivamente, os doutores que ensinavam a Lei de Moisés e a interpretavam para o povo. Partilhavam dos princípios e das causas com os fariseus, bem como da antipatia que aqueles votavam aos inovadores. Daí o motivo do envolvimento deles, na reprovação lançada, por Jesus, aos fariseus.

Essênios ou esseus: Seita judaica fundada 150 a.C, ao tempo dos Macabeus, e cujos membros, habitando uma espécie de mosteiros, formavam um tipo de associação moral e religiosa, entre si. Ensinavam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição. Viviam em celibato, condenavam a escravidão e a guerra, punham em comunhão os seus bens e se entregavam à agricultura. Pelo gênero de vida que levavam, assemelhavam-se muito aos primeiros cristão, e os princípios morais que professavam, induziram muitas pessoas a acreditar que Jesus, antes de iniciar sua missão, pertencera à comunidade dos essênios. Com certeza, Jesus deve te-la conhecido, sim, mas nada prova de que tenha a eles se filiado.

Fariseus: A tradição sempre foi parte importante na teologia dos judeus. Consistia na compilação das interpretações, sucessivamente, atribuídas ao sentido das Escrituras, e transformadas em dogmas. Esse material era, entre os doutores, objeto de intermináveis discussões. Daí surgiu diferentes seitas, onde cada uma delas pretendia ter o monopólio da “verdadeira verdade”, detestando-se umas às outras. Entre essas seitas, a que mais se destacava era a dos fariseus. Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas e, sob aparência de meticulosa devoção, ocultavam costumes dissolutos, muito orgulho e, acima de tudo, uma ânsia excessiva de dominação. Tinha a religião muito mais como um meio de atingirem seus fins, do que como objeto de fé sincera. De virtude, não possuíam nada, além das exterioridades e ostentações. No entanto, exerciam uma influência enorme sobre o povo, a cujos olhos, passavam por santas criaturas. Daí seu poder sobre o povo de Jerusalém.

Acreditavam, ou pelo menos, fingiam acreditar na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos. Jesus, que prezava, sobretudo, a simplicidade e as qualidades da alma, e, na Lei, preferia o Espírito que vivifica, à letra que mata, se aplicou, durante toda sua missão, a lhes desmascarar a hipocrisia. Por essa razão, os fariseus uniram-se aos príncipes e sacerdotes, para amotinar o povo contra Jesus, e eliminá-lo.

Nazarenos: Na antiga Lei, era o nome destinado aos judeus que faziam voto – perpétuo ou temporário – de guardar perfeita pureza. Comprometiam-se em observar a castidade, abster-se de bebidas alcoólicas e conservar a cabeleira. Mais tarde, os judeus associaram esse nome aos primeiros cristãos, por alusão a Jesus de Nazaré.

Portageiros: Eram os arrecadadores, incumbidos, principalmente, da cobrança dos direitos de entrada nas cidades. Considerados de baixa categoria, partilhavam da repulsa que pesava sobre os publicanos. Essa é a razão pela qual, no Evangelho, deparamo-nos, freqüentemente, com a palavra publicano associada à expressão gente de má vida.

Publicanos: Na antiga Roma, publicanos eram os cavalheiros arrendatários das taxas públicas, incumbidos da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, quer em Roma ou nas demais partes do Império.

De toda a dominação romana, o imposto foi o que os judeus, mais dificilmente, aceitaram e o que mais causou irritação entre eles. Daí, surgiram inúmeras revoltas, fazendo-se do caso, uma questão religiosa, por ser considerada contrária à Lei. Constituiu-se, assim, um partido poderoso, liderado por um certo Judá, apelidado “o Gaulonita”, tendo por princípio, o não pagamento de tributos. Assim, os publicanos, em função de suas atribuições, eram desprezados e discriminados, pela sociedade judaica, incluindo também neste “preconceito”, todos aqueles que com eles se relacionavam.

Saduceus: Após a divisão das dez tribos, Samaria transformou-se na capital do reino dissidente de Israel e seu povo, os samaritanos, viviam em guerras constantes com os Reis de Judá. Da Lei, admitiam somente o Pentateuco, que continha somente a Lei de Moisés, rejeitando todos os outros livros que, a este fossem, posteriormente, anexados. Seus livros sagrados eram escritos em hebraico antigo. Para os judeus ortodoxos, os samaritanos eram considerados heréticos e, portanto, desprezados e perseguidos. O antagonismo das duas nações tinha, pois, por único fundamento, a divergência de opiniões religiosas, embora a origem de ambas a crenças, fosse uma só. Eram considerados os protestantes daquele tempo. Ainda hoje, encontram-se samaritanos em algumas regiões do Levante, observando a Lei de Moisés com maior rigor que os demais judeus, e só entre si contraindo alianças.

Sinagoga: Em cidades que não possuíam templos, as sinagogas eram os edifícios onde os judeus se reuniam, aos sábados, para fazer preces públicas, sob a chefiados anciãos, dos escribas ou doutores da Lei.

Terapeutas: Também chamados “servidores de Deus”, eram sectários judeus contemporâneos do Cristo, fixados, principalmente, em Alexandria, na Grécia. Tinham uma relação muito forte com os essênio, cujos princípios compartilhavam, aplicando-se à prática de todas as virtudes. Celibatários, votados à contemplação e vivendo uma vida solitária, constituíam uma verdadeira ordem religiosa. Fílon, filósofo judeu platônico, foi o primeiro a mencionar os terapeutas como sendo uma seita do judaísmo. No entanto, Eusébio, S.Jerônimo e outros Pais da Igreja, acreditavam que eles eram cristãos. Independente disso, o que se sabe é que, da mesma forma que os essênios, os terapeutas representaram um traço de união entre o Judaísmo e o Cristianismo.

Sugestão de estudo: Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução, Parte III.
Um mergulho no evangelho – São textos publicados no blog Mediunidade e Apometria http://mediunidadeeapometria.blogspot.com/ e gentilmente cedidos para nossa coluna

Publicado por: Roberto Barros | 09/11/2009

Um mergulho no Evangelho – PARTE II

Autoridade da doutrina espírita: controle universal do ensino dos espíritos: Se a Doutrina dos Espíritos fosse uma concepção meramente humana, não ofereceria outra coisa, senão os esclarecimentos daqueles que a tivessem concebido. Assim, a Doutrina contaria com um “fundador” humano.

No entanto, ninguém, neste mundo, poderia alimentar, com base e fundamento, a pretensão de possuir, com exclusividade, a verdade absoluta. Se os Espíritos que revelaram a Doutrina, houvessem se manifestado a um único homem, pouco restaria para lhe garantir a origem, a não ser acreditar, por dever, na palavra daquele que fosse o receptor dos ensinamentos. Uma vez admitida sinceridade absoluta, não poderia ele convencer muito mais do que as pessoas de suas relações; conseguiria adeptos, mas jamais chegaria a congregar o mundo inteiro.

Quis Deus, no entanto, que a nova revelação chegasse aos homens, por um caminho mais rápido, preciso e autêntico. Incumbiu, assim, os Espíritos, de levá-la de um pólo a outro do Globo, manifestando-se por toda a parte, de forma simultânea, sem, contudo, conferir a ninguém, o privilégio de ouvir-lhes a palavra.

Um homem pode ser enganado e, até enganar-se a si mesmo; porém, tudo muda de figura quando milhões de criaturas vêem e ouvem a mesma coisa, nos quatro cantos do Planeta. Essa é a verdadeira garantia que a Doutrina Espírita oferece a todos, e a cada um.

Além disso, é possível fazer com que desapareça um homem, mas não se pode sumir com as comunidades; ao mesmo tempo, que pode-se queimar todos os livros, mas nunca queimar os Espíritos. Dessa forma, mesmo queimando-se todos os livros, a fonte da Doutrina conservar-se-ia intocável, pela simples razão de que, além de não ser “produto” da Terra, aparece em todos os lugares e a todos oferece acesso. Na falta de homens para difundi-la, haverá sempre os Espíritos, cuja atuação atinge a todos e aos quais ninguém pode atingir.

Assim, a Doutrina Espírita não tem nacionalidade e não se integra a nenhum culto existente; nenhuma classe social o impõe, uma vez que, qualquer pessoa pode receber instruções de seus parentes e amigos além-túmulo. Assim deve ser, para que ela possa conduzir todos os homens ao caminho da fraternidade.

É nessa UNIVERSALIDADE dos ensinamentos dos Espíritos, que reside a força da Doutrina Espírita, e também a causa de sua tão rápida propagação.

Milhares de vozes se fazem ouvir, simultaneamente, em todos os recantos do Planeta, proclamando e transmitindo os mesmos princípios, desde o mais ignorante até o mais sábio dos homens. Não existem deserdados, na Doutrina Espírita; uma vantagem de que não gozara, até hoje, nenhuma das Doutrinas conhecidas, ao longo da história da Humanidade.

Vale lembrar que não se trata, aqui, de comunicações referentes a interesses secundários, mas que dizem respeito aos princípios básicos da Doutrina. Prova a experiência que, quando um princípio novo deve ser enunciado, isso acontece, espontaneamente, em diversos pontos ao mesmo tempo e, de modo idêntico, ora quanto à forma, ora quanto ao fundamento.

Sabe-se, no entanto que, também os Espíritos apresentam diferenças em relação às suas capacidades de compreensão e entendimento. Assim, o saber de cada um está diretamente relacionado à sua depuração e, se considerados individualmente, encontram-se longe da posse de toda a verdade.

Neste sentido, a Doutrina Espírita considera em relação a tudo o que se ache fora do âmbito moral, as revelações que cada um possa receber, de caráter unicamente individual, sem cunho de autenticidade. Devem ser consideradas como opiniões pessoais de determinado Espírito e seria imprudência aceita-las e propagá-las, levianamente, como absolutas verdades.

Mesmo sendo a razão um dos maiores crivos pelo qual deve passar tudo o que venha dos Espíritos, a falta de luzes de certas pessoas e a tendência de não poucas a tomar as próprias opiniões como juízes únicos da verdade, cabe-nos buscar na concordância das revelações, sua maior garantia.

Assim, diz o Evangelho Segundo o Espiritismo, em sua Introdução, Parte II, que “uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos; a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares.”

O princípio da concordância é também uma garantia contra as alterações que poderiam sujeitar a Doutrina às seitas que quisessem se apoderar dela, em proveito próprio, e acomodá-la, de acordo com sua vontade. Qualquer um que tentasse desviá-la de seu fiel objetivo, seria mal sucedido, pelo simples fato de que os Espíritos, em virtude da universalidade de seus ensinamentos, fariam cair por terra qualquer modificação que se divorcie da verdade.

Assim, todo aquele que buscasse se o por à corrente de idéias estabelecida e sancionada poderia até causar uma pequena perturbação local e momentânea, mas jamais dominar o conjunto, seja no presente e, ainda menos, no futuro.

Os Espíritos Superiores agem com extrema sabedoria, em suas revelações. Não atacam as grandes questões da Doutrina, senão de forma gradual, à medida que a inteligência se mostra capaz de compreender verdades de ordem mais elevada, e quando as circunstâncias se revelam apropriadas à emissão de uma idéia nova. Por isso, logo no princípio, não disseram tudo, cedendo a impaciência dos afoitos, que querem os frutos, antes de estarem maduros. Assim, inútil é o tempo perdido tentando adiantar-se ao tempo que a Providência reservou para cada coisa, no Universo. Há tempo para tudo, já dizia o Evangelho.

CONCLUSÃO:
Diante do exposto, conclui-se que não será da opinião de um único homem que se aliarão todos os outros, mas à voz dos Espíritos; não será um homem, como não será qualquer outro, que fundará a ortodoxia espírita; tampouco será um Espírito que se venha impor a quem quer que seja: será a universalidade dos Espíritos que se comunicam em toda a Terra, por ordem de Deus. Esse é o caráter essencial da Doutrina Espírita; é essa sua força e autoridade. Quis Deus que sua lei tivesse bases tão sólidas quanto inabaláveis e, por isso, não lhe deu, por fundamento, a frágil cabeça de um só.

Sugestão de estudo: Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução – Parte II – Controle universal do ensino dos Espíritos.

Um mergulho no evangelho – São textos publicados no blog Mediunidade e Apometria http://mediunidadeeapometria.blogspot.com/ e gentilmente cedidos para nossa coluna

Publicado por: Roberto Barros | 09/11/2009

Um mergulho no Evangelho – PARTE I

As matérias contidas nos Evangelhos podem ser divididas em cinco partes distintas: os atos comuns da vida de Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral.

Ao longo da História, as quatro primeiras tem sido objeto de constantes controvérsias. A última, porém, permanece inatacável. Diante desse Código Divino, a própria incredulidade se curva. Para os homens, em particular, aquele Código constitui uma regra de conduta capaz de abranger todas as circunstâncias da vida pública e privada; o princípio de todas as relações sociais, baseados na mais rigorosa justiça. E, finalmente, acima de todas as coisas, o roteiro infalível para a felicidade, o levantamento de uma ponta do véu que nos encobre a vida futura. É exatamente nesta parte que se embasa o objetivo desta obra.

A forma alegórica e o intencional misticismo, da linguagem do Evangelho, faz com que ele seja lido, pela maioria, apenas por dever e desencargo de consciência. Da mesma maneira, é feita a leitura das preces, sem entendimento e, portanto, sem proveito. Assim, passam-lhes despercebidos os preceitos morais, disseminados aqui e ali, intercalados em meio às narrativas. Torna-se, então, impossível tornar, o conjunto, objeto de leitura e meditações especiais.

Muitas passagens, tanto dos Evangelhos quanto da Bíblia e, até mesmo, da obra de autores sacros em geral, são consideradas ininteligíveis e, muitas vezes, irracionais. Tudo isso se dá pela falta de uma chave que lhes faculte interpretar, de forma correta, e lhes apreender o verdadeiro sentido. É no Espiritismo que esta chave se apresenta e se completa, como já puderam reconhecer todos aqueles que, ao longo de sua História, o tem, seriamente, estudado.

Esta é uma obra para todos, onde, todos podem buscar a maneira correta de proceder, de acordo com a moral do Cristo. Aos Espíritas, oferece aplicações que, de modo geral, lhes dizem respeito. Graças às relações estabelecidas, desde o princípio e de forma permanente, entre os homens e o mundo invisível, a Lei Evangélica que os próprios Espíritos ensinaram, a todas as nações do Planeta, já não será “letra morta”. Cada um conseguirá compreende-la e se verá, incessantemente, levado a colocá-la em prática, a conselho de seus guias espirituais.

As instruções que provém dos Espíritos são, verdadeiramente, as vozes do Céu, que vem esclarecer aos homens, e convidá-los à prática do Evangelho.

Sugestão de estudo: Leitura de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Introdução, Parte I.
Um mergulho no evangelho – São textos publicados no blog Mediunidade e Apometria http://mediunidadeeapometria.blogspot.com/ e gentilmente cedidos para nossa coluna

Postagens Antigas »

Categorias