Um mergulho no Evangelho – PARTE IV

Sócrates e Platão, precursores da idéia cristã e do espiritismo. OS ESSÊNIOS E JESUS CRISTO:

Diz a Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo que “as grandes idéias nunca irrompem de súbito.

As que assentam sobre a verdade sempre tem precursores que lhes preparam parcialmente os caminhos. Depois, em chegando o tempo, envia Deus um homem com a missão de resumir, coordenar e completar os elementos esparsos, de reuni-los em corpo de doutrina. Desse modo, não surgindo, bruscamente, a idéia, ao aparecer, encontra espíritos dispostos a aceita-la.”

Foi exatamente assim que aconteceu com a idéia cristã, que, muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, foi precedida por Sócrates e Platão. Os essênios eram uma seita judaica fundada cerca de 150 anos antes de Jesus, cujos membros habitavam uma espécie de mosteiro e formavam, entre si, uma associação moral e religiosa. Destacavam-se pelos costumes brandos e grandes virtudes, ensinando o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição.

Como o gênero de vida que levavam e os princípios morais que professavam eram muito semelhantes aos dos primeiros cristãos, muitas pessoas levantaram a hipótese de que Jesus, antes de dar início a sua missão, teria pertencido à seita dos essênios.

A esse respeito, diz Emannuel: “O Mestre, (…), não obstante a elevada cultura das escolas essênias, não necessitou da sua contribuição. Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era com a superioridade que o planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio.”

SÓCRATES E JESUS CRISTO:
Estabelecendo uma comparação entre Sócrates e Jesus, é fácil perceber algumas semelhanças bem interessantes: Nenhum dos dois deixou qualquer escrito e, para conhecê-los, foi preciso confiar nas imagens e impressões que deixaram em seus discípulos e contemporâneos. Ambos eram mestres da retórica e tinham tanta autoconfiança no que diziam que podiam tanto arrebatar quanto irritar seus ouvintes.

Eram considerados tão carismáticos quanto enigmáticos, pois ambos acreditavam falar em nome de uma coisa que era maior do que eles mesmos. Assim como Jesus, acusado pelos fariseus de estar corrompendo o povo com seus ensinamentos, também Sócrates foi acusado, pelos fariseus do seu tempo – eles existiram e existem em todas as épocas – por proclamar o dogma da unidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura.

Ambos desafiavam agudamente os que detinham o poder na sociedade, apontando sem medo, as hipocrisias e falsos fundamentos em que se assentavam para cometer todo tipo de abusos ou injustiças. Assim, ambos foram considerados subversivos e perigosos e tiveram a morte digna dos criminosos, afinal, os que questionam serão sempre perigosos para os poderosos e pseudo-sábios de todas as eras.

Este foi apenas um pequeno paralelo entre as duas doutrinas, para mostrar sua concordância com os princípios do Cristianismo e provar que, se Sócrates e Platão pressentiram e precederam a idéia cristã, muito antes dos essênios e de Jesus, em sua doutrina também se encontram retratados os princípios fundamentais do Espiritismo.

Em função de muitas semelhanças, achamos importante retratar aqui, o “Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão”, do “Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, Parte IV”, para que possamos identificar, cada um dos princípios fundamentais do Espiritismo, nela contida.

RESUMO DA DOUTRINA DE SÓCRATES E PLATÃO:
I- “O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia unida aos tipos primordiais, às idéias do verdadeiro, do bem do belo; separa-se deles, encarnando, e, recordando o seu passado, é mais ou menos atormentada pelo desejo de voltar a ele.”

É possível destacar aqui, de maneira bem clara, a idéia da distinção e independência entre o princípio inteligente e o princípio material. Além disso, aqui está a doutrina da preexistência da alma; da vaga intuição que ela carrega de um outro mundo, ao qual deseja retornar; da sua saída do mundo espiritual para encarnar e, posteriormente, seu retorno a esse mesmo mundo, após a morte, por sua sobrevivência além do corpo. Eis assim, o “gérmen da doutrina dos Anjos decaídos”.

II – “A alma se transvia e perturba, quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; tem vertigem, como se estivesse ébria, porque se prende a coisas que estão, por sua natureza, sujeitas à mudanças; ao passo que, quando contempla a sua própria essência, dirige-se para o que é puro, eterno, imortal, e sendo ela dessa natureza, permanece aí ligada, por tanto tempo quanto possa. Cessam então os seus transviamentos, pois que está unida ao que é imutável e a esse estado da alma é que se chama sabedoria.”

Já dizia Platão que, todo homem que considera as coisas sob o ponto de vista material, apegando-se às coisas terrenas, ilude-se a si mesmo. Para apreciá-las da maneira correta, é preciso vê-las sob o ponto de vista espiritual. E só aquele que consegue isolar a alma do corpo, para enxergar com os olhos do Espírito, está de posse da verdadeira sabedoria.

III – Enquanto tivermos o nosso corpo e a alma se achar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade. Com efeito, o corpo nos suscita mil obstáculos pela necessidade em que nos achamos de cuidar dele. Ao demais, ele nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, impossível se nos torna ser ajuizados, sequer por um instante. Mas, se não nos é possível conhecer puramente coisa alguma, enquanto a alma nos está ligada ao corpo, de duas uma: ou jamais conheceremos a verdade, ou só a conheceremos após a morte. Libertos, da loucura do corpo, conversaremos então, lícito é esperá-lo, com homens igualmente libertos e conheceremos, por nós mesmos, a essência das coisas. Essa a razão por que os verdadeiros filósofos se exercitam em morrer e a morte não se lhes afigura, de modo nenhum, temível.”

Aqui está o princípio das faculdades da alma obscurecida pelos órgãos corporais e da expansão da alma já liberta dos limites da matéria.

IV – A alma impura, nesse estado, se encontra oprimida e se vê de novo arrastada para o mundo visível, pelo horror do que é invisível e imaterial. Erra, então, diz-se, em torno dos monumentos e dos túmulos, junto aos quais já se tem visto tenebrosos fantasmas, quais devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estarem ainda inteiramente puras, que ainda conservam alguma coisa da forma material, o que faz que a vista humana possa percebê-las.

Não são as almas dos bons; são, porém, a dos maus, que se vêem forçadas a vagar por esses lugares, onde arrastam consigo a pena da primeira vida que tiveram e onde continuam a vagar até que os apetites inerentes à forma material de que se revestiram as reconduzam a um corpo. Então, sem dúvida, retomam os mesmos costumes que durante a primeira vida constituíam objeto de suas predileções.

Este tópico expressa mais alguns princípios fundamentais do Espiritismo: o princípio da reencarnação e o estado em que se encontram as almas que ainda se mantém sob o poder da matéria. Afirma ainda que a reencarnação em um corpo carnal é uma conseqüência da impureza da alma e uma chance de aperfeiçoamento, pois cada existência lhe proporciona um progresso intelectual e moral, através da bagagem de conhecimentos adquiridos. Daí a “doutrina das idéias inatas”.

V- Após a nossa morte, o gênio (daimon, demônio), que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reúnem todos os que tem de ser conduzidos ao Hades, para serem julgados. As almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múltiplos e longos períodos.

Eis aqui a doutrina dos Anjos Guardiães ou Espíritos protetores, e das reencarnações sucessivas, que seguem intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

VI– Os demônios ocupam o espaço que separa o céu da terra; constituem o laço que une o Grande Todo a si mesmo. Não entrando nunca a divindade em comunicação direta com o homem, é por intermédio dos demônios que os deuses entram em comércio e se entretêm com ele, quer durante a vigília, quer durante o sono.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a palavra daimon, de onde se encarregaram de criar o termo demônio, nunca foi, na Antiguidade, tomada com o sentido negativo que carrega nos tempos modernos. Não tratava, exclusivamente, de seres do mal, mas dos Espíritos em geral, dentre os quais se destacavam os Espíritos Superiores, também chamados de deuses, e os menos evoluídos, os demônios propriamente ditos. Eram esses Espíritos que se comunicavam diretamente com os homens.

Coloquem, no lugar da palavra demônio, a palavra Espírito, e teremos a Doutrina Espírita. Usando a palavra anjo, teremos a Doutrina Cristã. Neste tópico da doutrina de Platão, destacam-se, também, alguns dos fundamentos do Espiritismo: os Espíritos povoam o espaço; Deus só se comunica com os homens por intermédio de Espíritos puros, encarregados de lhes transmitirem as vontades divinas; os Espíritos podem se comunicar com os homens, tanto durante a vigília quanto durante o sono.

VII- A preocupação constante do filósofo (tal como o compreendiam Sócrates e Platão) é a de tomar o maior cuidado com a alma, menos pelo que respeita a esta vida, que não dura mais que um instante, do que tendo em vista a eternidade. Desde que a alma é imortal, não será prudente viver visando a eternidade ?

O que se pode ressaltar deste tópico é que o Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.

VIII – Se a alma é imaterial, tem de passar, após essa vida, a um mundo igualmente invisível e imaterial, do mesmo modo que o corpo, decompondo-se, volta à matéria. Muito importa, no entanto, distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se alimente, como Deus, de ciência e pensamentos, da alma mais ou menos maculada de impurezas materiais, que a impedem de elevar-se para o divino e a retém nos lugares da sua estada na Terra.

É possível perceber que Sócrates e Platão compreendiam bem os diferentes graus de desmaterialização da alma, e insistiam nas diferentes situações que resultam na sua maior ou menor pureza. O que eles diziam, por intuição, o Espiritismo se encarrega, hoje, de provar com inúmeros exemplos.

IX– Se a morte fosse a dissolução completa do homem, muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vícios. Aquele que guarnecer a alma, não de ornatos estranhos, mas com os que lhe são próprios, só esse poderá aguardar tranqüilamente a hora da sua partida para o outro mundo.

O materialismo, proclamando o “nada” para depois da morte, anula toda a responsabilidade moral da vida presente, sendo, conseqüentemente, um incentivo ao mal. Somente o homem que se libertou dos vícios, se desprendeu das garras do materialismo e se enriqueceu de virtudes, pode esperar com tranqüilidade pelo despertar na outra vida.

X– O corpo conserva bem impressos os vestígios dos cuidados de que foi objeto e dos acidentes que sofreu. Dá-se o mesmo com a alma. Quando despida do corpo, ela guarda, evidentes, os traços do seu caráter, de suas afeições e as marcas que lhe deixaram todos os atos de sua vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer ao homem é ir para o outro mundo com a alma carregada de crimes. Vês, Cálicles, que nem tu, nem Pólux, nem Górgias podereis provar que devamos levar outra vida que nos seja útil quando estejamos do outro lado. De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber do que cometer uma injustiça, e que, acima de tudo, devemos cuidar, não de parecer, mas de ser homem de bem. ( Colóquios de Sócrates com seus discípulos, na prisão.)

Destaca-se aqui, outro ponto importante, confirmado, hoje, pela experiência: a alma não depurada conserva idéias, tendências, o caráter e as paixões, que vivenciou na Terra.

Se analisarmos a frase “mais vale receber do que cometer uma injustiça”, vamos ver que ela é inteiramente cristã e foi também usada por Jesus, de forma figurativa, com a expressão: “Se alguém vos bater numa face, apresentai-lhe a outra.”

XI– De duas uma: ou a morte é uma destruição absoluta, ou é passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de extinguir-se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonho e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Todavia, se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para o lugar onde os mortos se tem de reunir, que felicidade a de encontrarmos lá aqueles a quem conhecemos ! O meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa outra morada e de distinguir lá, como aqui, os que são dignos dos que se julgam tais e não o são. Mas, é tempo de nos separarmos, eu para morrer, vós para viverdes. (Sócrates aos seus juízes.)

Segundo a Doutrina de Sócrates, todos os que viveram na Terra, se encontram e se reconhecem, depois da morte. Esse também é um dos princípios da Doutrina Espírita, onde as relações estabelecidas permanecem e, de forma alguma, a morte representa uma interrupção ou cessação da vida. Ao contrário, é uma passagem, uma transformação.

XII– Nunca se deve retribuir com outra uma injustiça nem fazer mal a ninguém, seja qual for o dano que nos hajam causado. Poucos, no entanto, serão os que admitam esse princípio e os que se desentenderem a tal respeito nada mais farão, sem dúvida, do que se votarem uns aos outros mútuo desprezo. Eis aí o princípio da caridade, que prescreve o perdão aos inimigos e condena a retribuição do mal pelo mal.

XIII– É pelos frutos que se conhece a árvore. Toda ação deve ser qualificada pelo que produz: qualifica-la de má, quando dela provenha mal; de boa, quando dê origem ao bem.

Essa frase “Pelos frutos é que se conhece a árvore”, encontra-se, inúmeras vezes, repetida, textualmente, nos Evangelhos.

XIV– A riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza não a ma a si mesmo, nem ao que é seu; ama a uma coisa que lhe é ainda mais estranha do que o que lhe pertence.

XV– As mais belas preces e os mais belos sacrifícios prazem menos à Divindade do que uma alma virtuosa que faz esforços por se lhe assemelhar. Grave coisa fora que os deuses dispensassem mais atenção às nossas oferendas, do que à nossa alma; se tal se desse poderiam os mais culpados conseguir que eles se lhes tornassem propícios. Mas, não: verdadeiramente, justos e retos só o são, os que, por suas palavras e atos, cumprem seus deveres para com os deuses e para com os homens.

XVI- Chamo homem vicioso, a esse amante vulgar, que mais ama o corpo do que a alma. O amor está por toda parte em a Natureza que nos convida aos exercícios da nossa inteligência; até no movimento dos astros o encontramos. É o amor que orna a Natureza de seus ricos tapetes; ele se enfeita e fixa morada onde se lhes deparem flores e perfumes. É ainda o amor que dá paz aos homens, calma ao mar, silêncio aos ventos e sono à dor.

A teoria de Platão sobre o amor universal, como Lei da Natureza, teve por conseqüência o amor que há de unir os homens por um laço fraterno. Sócrates foi considerado criminoso por afirmar que existe um grande Espírito que preside o amor universal, com a frase: “O amor não é nem um deus, nem um mortal, mas um grande demônio.”

XVII– A virtude não pode ser ensinada; vem por dom de Deus aos que possuem.

Segundo o Espiritismo, para ser encarada como um dom, a virtude carece de mérito para aquele que a conquista. Assim, aquele que a possui , fez por merecer com seus esforços, através de sucessivas existências, libertando-se, pouco a pouco, de suas imperfeições.

XVIII É disposição natural em todos nós, a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos do que dos de outrem. Essa parece ser uma “particularidade” do ser humano, desde os tempos de Platão.

XIX – Se os médicos são mal sucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte deles passe bem.

A Doutrina Espírita fornece a chave das relações entre a alma e o corpo, provando a influência do espírito sobre a matéria. Como se pode ver, essa teoria não é nova, mas, infelizmente, só agora, em pleno Século XXI, a Medicina vem acordando para essa chamada “nova” proposta, com bons resultados.

XX– Todos os homens, a partir da infância, muito mais fazem de mal, do que de bem.

A sentença de Sócrates vem ao encontro da grave questão da predominância do mal sobre a Terra. Essa é uma questão praticamente sem solução, quando não se tem o conhecimento sobre a teoria, explicada pelo Espiritismo, da pluralidade dos mundos e da destinação do planeta terreno, habitado apenas por uma mínima fração da humanidade.

XXI– Ajuizado serás, não supondo que sabes, o que ignoras.

Esse tópico refere-se diretamente aqueles que criticam o que desconhecem. Platão complementa o pensamento de Sócrates, dizendo: “ Tentemos, primeiro, torná-los, se for possível, mais honestos nas palavras; se não o forem não nos preocupemos com eles e não procuremos senão a verdade Cuidemos de instruir-nos, mas não nos injuriemos.”

Essa deve ser também a atitude dos espíritas em relação a seus contraditores, tanto de boa quanto de má-fé. Se Platão, revivesse em pleno Século XXI, encontraria as coisas quase iguais ao seu tempo, e poderia fazer uso da mesma linguagem. Também Sócrates encontraria criaturas que zombariam de sua crença nos Espíritos e, com certeza, juntamente com Platão, seriam considerados loucos.

Por outro lado, se Sócrates e Platão tivessem conhecido os ensinamentos de Jesus, difundidos 500 anos mais tarde, e os divulgados, agora, pela Doutrina Espírita, a atitude seria a mesma e não teriam se expressado de outra forma.

Diz o “Evangelho segundo o Espiritismo” que “ Sócrates, Platão e os grandes filósofos daqueles tempos bem podem, depois que secundaram o Cristo na sua missão divina, ter sido dos escolhidos para esse fim, precisamente por se acharem, mais do que os outros, em condições de lhe compreenderem as sublimes lições; que, finalmente, pode dar-se façam eles agora parte da plêiade dos Espíritos encarregados de ensinar aos homens as mesmas verdades.”

Embora um pouco extenso, esse estudo teve, por principal objetivo, mostrar que nada surpreende, porque nada de novo existe. As idéias cristãs e o Espiritismo tiveram seus grandes precursores antes mesmo de Jesus Cristo. As Grandes Verdades são eternas e sempre foram conhecidas pelos Espíritos Superiores, antes mesmo deles chegarem à Terra. E, acreditemos ou não, foram eles que as trouxeram para cá!

Sugestão de estudo: Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução, Parte IV.
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Um mergulho no Evangelho – PARTE III

Notícias históricas introdução: Para uma melhor compreensão de algumas passagens dos Evangelhos, é preciso conhecer o significado de algumas palavras, que caracterizavam costumes da sociedade judaica, da época. Muitas dessas palavras têm sido, com freqüência, mal interpretadas, causando uma espécie de incerteza quanto aos seus verdadeiros sentidos.

Vamos assim, a um passeio pela História, para que possamos entender o papel de cada um dos personagens que faziam parte da sociedade dos tempos de Jesus.

Escribas: A princípio, escribas eram os secretários dos Reis de Judá e certos intendentes dos exércitos judeus. Posteriormente, o termo passou a ser usado para denominar, exclusivamente, os doutores que ensinavam a Lei de Moisés e a interpretavam para o povo. Partilhavam dos princípios e das causas com os fariseus, bem como da antipatia que aqueles votavam aos inovadores. Daí o motivo do envolvimento deles, na reprovação lançada, por Jesus, aos fariseus.

Essênios ou esseus: Seita judaica fundada 150 a.C, ao tempo dos Macabeus, e cujos membros, habitando uma espécie de mosteiros, formavam um tipo de associação moral e religiosa, entre si. Ensinavam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição. Viviam em celibato, condenavam a escravidão e a guerra, punham em comunhão os seus bens e se entregavam à agricultura. Pelo gênero de vida que levavam, assemelhavam-se muito aos primeiros cristão, e os princípios morais que professavam, induziram muitas pessoas a acreditar que Jesus, antes de iniciar sua missão, pertencera à comunidade dos essênios. Com certeza, Jesus deve te-la conhecido, sim, mas nada prova de que tenha a eles se filiado.

Fariseus: A tradição sempre foi parte importante na teologia dos judeus. Consistia na compilação das interpretações, sucessivamente, atribuídas ao sentido das Escrituras, e transformadas em dogmas. Esse material era, entre os doutores, objeto de intermináveis discussões. Daí surgiu diferentes seitas, onde cada uma delas pretendia ter o monopólio da “verdadeira verdade”, detestando-se umas às outras. Entre essas seitas, a que mais se destacava era a dos fariseus. Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas e, sob aparência de meticulosa devoção, ocultavam costumes dissolutos, muito orgulho e, acima de tudo, uma ânsia excessiva de dominação. Tinha a religião muito mais como um meio de atingirem seus fins, do que como objeto de fé sincera. De virtude, não possuíam nada, além das exterioridades e ostentações. No entanto, exerciam uma influência enorme sobre o povo, a cujos olhos, passavam por santas criaturas. Daí seu poder sobre o povo de Jerusalém.

Acreditavam, ou pelo menos, fingiam acreditar na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos. Jesus, que prezava, sobretudo, a simplicidade e as qualidades da alma, e, na Lei, preferia o Espírito que vivifica, à letra que mata, se aplicou, durante toda sua missão, a lhes desmascarar a hipocrisia. Por essa razão, os fariseus uniram-se aos príncipes e sacerdotes, para amotinar o povo contra Jesus, e eliminá-lo.

Nazarenos: Na antiga Lei, era o nome destinado aos judeus que faziam voto – perpétuo ou temporário – de guardar perfeita pureza. Comprometiam-se em observar a castidade, abster-se de bebidas alcoólicas e conservar a cabeleira. Mais tarde, os judeus associaram esse nome aos primeiros cristãos, por alusão a Jesus de Nazaré.

Portageiros: Eram os arrecadadores, incumbidos, principalmente, da cobrança dos direitos de entrada nas cidades. Considerados de baixa categoria, partilhavam da repulsa que pesava sobre os publicanos. Essa é a razão pela qual, no Evangelho, deparamo-nos, freqüentemente, com a palavra publicano associada à expressão gente de má vida.

Publicanos: Na antiga Roma, publicanos eram os cavalheiros arrendatários das taxas públicas, incumbidos da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, quer em Roma ou nas demais partes do Império.

De toda a dominação romana, o imposto foi o que os judeus, mais dificilmente, aceitaram e o que mais causou irritação entre eles. Daí, surgiram inúmeras revoltas, fazendo-se do caso, uma questão religiosa, por ser considerada contrária à Lei. Constituiu-se, assim, um partido poderoso, liderado por um certo Judá, apelidado “o Gaulonita”, tendo por princípio, o não pagamento de tributos. Assim, os publicanos, em função de suas atribuições, eram desprezados e discriminados, pela sociedade judaica, incluindo também neste “preconceito”, todos aqueles que com eles se relacionavam.

Saduceus: Após a divisão das dez tribos, Samaria transformou-se na capital do reino dissidente de Israel e seu povo, os samaritanos, viviam em guerras constantes com os Reis de Judá. Da Lei, admitiam somente o Pentateuco, que continha somente a Lei de Moisés, rejeitando todos os outros livros que, a este fossem, posteriormente, anexados. Seus livros sagrados eram escritos em hebraico antigo. Para os judeus ortodoxos, os samaritanos eram considerados heréticos e, portanto, desprezados e perseguidos. O antagonismo das duas nações tinha, pois, por único fundamento, a divergência de opiniões religiosas, embora a origem de ambas a crenças, fosse uma só. Eram considerados os protestantes daquele tempo. Ainda hoje, encontram-se samaritanos em algumas regiões do Levante, observando a Lei de Moisés com maior rigor que os demais judeus, e só entre si contraindo alianças.

Sinagoga: Em cidades que não possuíam templos, as sinagogas eram os edifícios onde os judeus se reuniam, aos sábados, para fazer preces públicas, sob a chefiados anciãos, dos escribas ou doutores da Lei.

Terapeutas: Também chamados “servidores de Deus”, eram sectários judeus contemporâneos do Cristo, fixados, principalmente, em Alexandria, na Grécia. Tinham uma relação muito forte com os essênio, cujos princípios compartilhavam, aplicando-se à prática de todas as virtudes. Celibatários, votados à contemplação e vivendo uma vida solitária, constituíam uma verdadeira ordem religiosa. Fílon, filósofo judeu platônico, foi o primeiro a mencionar os terapeutas como sendo uma seita do judaísmo. No entanto, Eusébio, S.Jerônimo e outros Pais da Igreja, acreditavam que eles eram cristãos. Independente disso, o que se sabe é que, da mesma forma que os essênios, os terapeutas representaram um traço de união entre o Judaísmo e o Cristianismo.

Sugestão de estudo: Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução, Parte III.
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Um mergulho no Evangelho – PARTE II

Autoridade da doutrina espírita: controle universal do ensino dos espíritos: Se a Doutrina dos Espíritos fosse uma concepção meramente humana, não ofereceria outra coisa, senão os esclarecimentos daqueles que a tivessem concebido. Assim, a Doutrina contaria com um “fundador” humano.

No entanto, ninguém, neste mundo, poderia alimentar, com base e fundamento, a pretensão de possuir, com exclusividade, a verdade absoluta. Se os Espíritos que revelaram a Doutrina, houvessem se manifestado a um único homem, pouco restaria para lhe garantir a origem, a não ser acreditar, por dever, na palavra daquele que fosse o receptor dos ensinamentos. Uma vez admitida sinceridade absoluta, não poderia ele convencer muito mais do que as pessoas de suas relações; conseguiria adeptos, mas jamais chegaria a congregar o mundo inteiro.

Quis Deus, no entanto, que a nova revelação chegasse aos homens, por um caminho mais rápido, preciso e autêntico. Incumbiu, assim, os Espíritos, de levá-la de um pólo a outro do Globo, manifestando-se por toda a parte, de forma simultânea, sem, contudo, conferir a ninguém, o privilégio de ouvir-lhes a palavra.

Um homem pode ser enganado e, até enganar-se a si mesmo; porém, tudo muda de figura quando milhões de criaturas vêem e ouvem a mesma coisa, nos quatro cantos do Planeta. Essa é a verdadeira garantia que a Doutrina Espírita oferece a todos, e a cada um.

Além disso, é possível fazer com que desapareça um homem, mas não se pode sumir com as comunidades; ao mesmo tempo, que pode-se queimar todos os livros, mas nunca queimar os Espíritos. Dessa forma, mesmo queimando-se todos os livros, a fonte da Doutrina conservar-se-ia intocável, pela simples razão de que, além de não ser “produto” da Terra, aparece em todos os lugares e a todos oferece acesso. Na falta de homens para difundi-la, haverá sempre os Espíritos, cuja atuação atinge a todos e aos quais ninguém pode atingir.

Assim, a Doutrina Espírita não tem nacionalidade e não se integra a nenhum culto existente; nenhuma classe social o impõe, uma vez que, qualquer pessoa pode receber instruções de seus parentes e amigos além-túmulo. Assim deve ser, para que ela possa conduzir todos os homens ao caminho da fraternidade.

É nessa UNIVERSALIDADE dos ensinamentos dos Espíritos, que reside a força da Doutrina Espírita, e também a causa de sua tão rápida propagação.

Milhares de vozes se fazem ouvir, simultaneamente, em todos os recantos do Planeta, proclamando e transmitindo os mesmos princípios, desde o mais ignorante até o mais sábio dos homens. Não existem deserdados, na Doutrina Espírita; uma vantagem de que não gozara, até hoje, nenhuma das Doutrinas conhecidas, ao longo da história da Humanidade.

Vale lembrar que não se trata, aqui, de comunicações referentes a interesses secundários, mas que dizem respeito aos princípios básicos da Doutrina. Prova a experiência que, quando um princípio novo deve ser enunciado, isso acontece, espontaneamente, em diversos pontos ao mesmo tempo e, de modo idêntico, ora quanto à forma, ora quanto ao fundamento.

Sabe-se, no entanto que, também os Espíritos apresentam diferenças em relação às suas capacidades de compreensão e entendimento. Assim, o saber de cada um está diretamente relacionado à sua depuração e, se considerados individualmente, encontram-se longe da posse de toda a verdade.

Neste sentido, a Doutrina Espírita considera em relação a tudo o que se ache fora do âmbito moral, as revelações que cada um possa receber, de caráter unicamente individual, sem cunho de autenticidade. Devem ser consideradas como opiniões pessoais de determinado Espírito e seria imprudência aceita-las e propagá-las, levianamente, como absolutas verdades.

Mesmo sendo a razão um dos maiores crivos pelo qual deve passar tudo o que venha dos Espíritos, a falta de luzes de certas pessoas e a tendência de não poucas a tomar as próprias opiniões como juízes únicos da verdade, cabe-nos buscar na concordância das revelações, sua maior garantia.

Assim, diz o Evangelho Segundo o Espiritismo, em sua Introdução, Parte II, que “uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos; a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares.”

O princípio da concordância é também uma garantia contra as alterações que poderiam sujeitar a Doutrina às seitas que quisessem se apoderar dela, em proveito próprio, e acomodá-la, de acordo com sua vontade. Qualquer um que tentasse desviá-la de seu fiel objetivo, seria mal sucedido, pelo simples fato de que os Espíritos, em virtude da universalidade de seus ensinamentos, fariam cair por terra qualquer modificação que se divorcie da verdade.

Assim, todo aquele que buscasse se o por à corrente de idéias estabelecida e sancionada poderia até causar uma pequena perturbação local e momentânea, mas jamais dominar o conjunto, seja no presente e, ainda menos, no futuro.

Os Espíritos Superiores agem com extrema sabedoria, em suas revelações. Não atacam as grandes questões da Doutrina, senão de forma gradual, à medida que a inteligência se mostra capaz de compreender verdades de ordem mais elevada, e quando as circunstâncias se revelam apropriadas à emissão de uma idéia nova. Por isso, logo no princípio, não disseram tudo, cedendo a impaciência dos afoitos, que querem os frutos, antes de estarem maduros. Assim, inútil é o tempo perdido tentando adiantar-se ao tempo que a Providência reservou para cada coisa, no Universo. Há tempo para tudo, já dizia o Evangelho.

CONCLUSÃO:
Diante do exposto, conclui-se que não será da opinião de um único homem que se aliarão todos os outros, mas à voz dos Espíritos; não será um homem, como não será qualquer outro, que fundará a ortodoxia espírita; tampouco será um Espírito que se venha impor a quem quer que seja: será a universalidade dos Espíritos que se comunicam em toda a Terra, por ordem de Deus. Esse é o caráter essencial da Doutrina Espírita; é essa sua força e autoridade. Quis Deus que sua lei tivesse bases tão sólidas quanto inabaláveis e, por isso, não lhe deu, por fundamento, a frágil cabeça de um só.

Sugestão de estudo: Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução – Parte II – Controle universal do ensino dos Espíritos.

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Um mergulho no Evangelho – PARTE I

As matérias contidas nos Evangelhos podem ser divididas em cinco partes distintas: os atos comuns da vida de Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral.

Ao longo da História, as quatro primeiras tem sido objeto de constantes controvérsias. A última, porém, permanece inatacável. Diante desse Código Divino, a própria incredulidade se curva. Para os homens, em particular, aquele Código constitui uma regra de conduta capaz de abranger todas as circunstâncias da vida pública e privada; o princípio de todas as relações sociais, baseados na mais rigorosa justiça. E, finalmente, acima de todas as coisas, o roteiro infalível para a felicidade, o levantamento de uma ponta do véu que nos encobre a vida futura. É exatamente nesta parte que se embasa o objetivo desta obra.

A forma alegórica e o intencional misticismo, da linguagem do Evangelho, faz com que ele seja lido, pela maioria, apenas por dever e desencargo de consciência. Da mesma maneira, é feita a leitura das preces, sem entendimento e, portanto, sem proveito. Assim, passam-lhes despercebidos os preceitos morais, disseminados aqui e ali, intercalados em meio às narrativas. Torna-se, então, impossível tornar, o conjunto, objeto de leitura e meditações especiais.

Muitas passagens, tanto dos Evangelhos quanto da Bíblia e, até mesmo, da obra de autores sacros em geral, são consideradas ininteligíveis e, muitas vezes, irracionais. Tudo isso se dá pela falta de uma chave que lhes faculte interpretar, de forma correta, e lhes apreender o verdadeiro sentido. É no Espiritismo que esta chave se apresenta e se completa, como já puderam reconhecer todos aqueles que, ao longo de sua História, o tem, seriamente, estudado.

Esta é uma obra para todos, onde, todos podem buscar a maneira correta de proceder, de acordo com a moral do Cristo. Aos Espíritas, oferece aplicações que, de modo geral, lhes dizem respeito. Graças às relações estabelecidas, desde o princípio e de forma permanente, entre os homens e o mundo invisível, a Lei Evangélica que os próprios Espíritos ensinaram, a todas as nações do Planeta, já não será “letra morta”. Cada um conseguirá compreende-la e se verá, incessantemente, levado a colocá-la em prática, a conselho de seus guias espirituais.

As instruções que provém dos Espíritos são, verdadeiramente, as vozes do Céu, que vem esclarecer aos homens, e convidá-los à prática do Evangelho.

Sugestão de estudo: Leitura de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Introdução, Parte I.
Um mergulho no evangelho – São textos publicados no blog Mediunidade e Apometria http://mediunidadeeapometria.blogspot.com/ e gentilmente cedidos para nossa coluna

História dos hebreus

Para entender o Evangelho, é preciso, num primeiro momento, entender a Bíblia e, para tanto, conhecer um pouco da história do povo, em meio ao qual ela surgiu.

A Bíblia, cujo nome quer dizer, simplesmente, “O Livro” é, na verdade, uma biblioteca que reúne diversos livros da religião hebraica. São 42 livros escritos por diversos autores. Todos foram escritos em hebraico e aramaico, para mais tarde, serem traduzidos para o latim, por São Jerônimo, na conhecida Vulgata Latina, do Século V de nossa Era.

“No primeiro dia, Deus criou o céu e a terra”. Assim começa a Gênese, o primeiro livro da Bíblia. E com essa afirmação, a religião dos hebreus se separou, desde o princípio, de todas as demais filosofias religiosas da Antiguidade. Estava criada a primeira religião monoteísta que se tem notícia – o Judaísmo. Mas quem foi esse povo, intitulado “Povo de Deus”, e que fez de sua história uma grande luta contra o Politeísmo, enraizado em todos povos da Antiguidade ?

O POVO HEBREU:
Há aproximadamente 4000 anos, grandes povos viviam às margens do Mediterrâneo, na Ásia e na África, formando duas grandes potências: o Egito e a Caldéia. Entre esses dois reinos, existiam dois pequenos países, a Síria e Canaã, sendo este último também chamado de Palestina.  O povo Hebreu, um dos muitos povos que habitavam essa região, pertencia ao ramo dos semitas, descendentes de Sem, filho de Noé. Daí, a relação entre semita e judeu, que até hoje, são palavras consideradas sinônimas. Segundo a tradição judaica, o primeiro patriarca foi Abraão, natural da cidade de Ur, na Caldéia, que emigrou para a Palestina, no Século XIX a.C., na época do Grande Rei Hamurábi.

A RELIGIÃO JUDAICA:
Abraão fundou o Judaísmo, por volta de 1700 a.C., após receber uma ordem de Deus ou Jeová, para transportar-se com sua família para a Palestina.  O neto de Abraão, o patriarca Jacó, também chamado Israel, teve 12 filhos, origem das 12 tribos israelitas. E aquele povo ganhou o nome de Povo de Israel.
A vida nômade e agrícola do Povo de Israel durou cerca de 500 anos. Terminaram por se instalar na região do Delta do Nilo, uma das terras mais ricas e produtivas do Egito, onde foram muito bem recebidos, pois o Egito, na época, estava sob o domínio dos hicsos, um povo também de origem semita.  Depois da expulsão dos hicsos, os Hebreus passaram a ser objeto de exploração por parte dos egípcios e transformaram-se em escravos do Faraó. Por volta de 1300 a.C., Deus suscitou-lhes um libertador, na pessoa de Moisés, o grande legislador hebreu, descendente de Abraão. Sob sua guia, os hebreus passaram o Mar Vermelho, para retornar à terra de Canaã, atual Palestina. Quando chegaram ao Monte Sinai, ao norte do Mar Vermelho, Moisés recebeu de Jeová, os Dez Mandamentos ou Decálogo. Estava firmada a aliança entre Jeová e seu povo. Daí, se chamar Arca da Aliança, a arca de cedro que guardava os Dez Mandamentos, gravados em tábua de pedra. Muitos reis se passaram, na história do Povo de Israel. Depois de Salomão, filho de Davi, que transformou Jerusalém em centro religioso, as tribos dividiram-se em dois Reinos distintos: o de Israel, na Samaria; e o de Judá, com capital em Jerusalém. O Reino de Israel foi devastado em 721 a.C., pelos assírios e não mais reconstruído; resta o Reino de Judá, enfrentando toda a sorte de adversidades, como escravidão, guerras e invasões. Depois da destruição do Templo de Jerusalém, pelos romanos, em 70 d.C., e da destruição da cidade, em 135 d.C., os judeus se dispersaram por todos os continentes, em um movimento que ficou conhecido como a Segunda Diáspora Judaica, sem, contudo, perder sua identidade cultural e religiosa. Somente em 1948, termina a Diáspora, com a criação do Estado de Israel.

O VELHO TESTAMENTO:
Supostamente escrito por Moisés, o Velho Testamento começa com os cinco livros, conhecidos como Pentateuco Mosaico. O aparecimento dessas obras data, aproximadamente, de 1550 a 1300 a.C. Vimos que a história do povo hebreu, protagonizada por Abraão, data de 1700 a.C.

Os cinco livros atribuídos a Moisés são:

GÊNESIS: Trata da origem da Criação, do mundo terreno e do homem. Através de uma narrativa extremamente simbólica, o autor narra as fases do surgimento do Universo, da Terra e de todos os seres animados e inanimados.

ÊXODO: Descreve os principais episódios da libertação do povo hebreu, após 400 anos de escravidão no Egito.

LEVÍTICO: Traz as instruções destinadas à orientação dos cultos entre os seguidores de Moisés e Deus.

NÚMEROS: Relata parte da história da peregrinação dos hebreus, no deserto, em direção à Canaã, a Terra Prometida, e traz informações sobre o censo realizado, apurando as pessoas que fizeram a viagem, depois da fuga do Egito.

DEUTERONÔMIO: É um código de leis, promulgadas por Moisés, com a finalidade de reorganizar a vida social do povo. Neste livro, entre inúmeras outras lei incompatíveis com a realidade de hoje, encontramos a proibição referente ao contato com “os mortos”. Cabe lembrar que, tal prática era muito comum entre os egípcios, sendo realizada de forma fútil e desrespeitosa, o que levou o legislador a proibir essas atividades. Mais tarde, porém, o próprio Moisés, na condição de “morto”, aparece e conversa com Jesus, no episódio da transfiguração, sobre o Monte Tabor.

OS PROFETAS: Também fazem parte do Velho Testamento, um conjunto de 34 livros, referentes aos demais profetas, onde, quase todos, profetizam sobre a vinda de um Grande Espírito, que implantaria o Reino de Deus no coração dos homens de boa vontade. Todas essas previsões realizam-se, integralmente, na pessoa de Jesus Cristo.

O NOVO TESTAMENTO:
Segundo Herculano Pires, em sua obra “A Visão Espírita da Bíblia”, o Novo Testamento, também chamado de Evangelho, não pertence, de fato, à Bíblia. É outro livro, escrito muito mais tarde, reunindo vários escritos sobre Jesus e seus ensinamentos.
A mensagem do Novo Testamento, tem como foco central, a figura de Jesus Cristo – sua vinda, seus atos e sua mensagem. Podemos também encontrar, no Novo Testamento, a narrativa dos discípulos diretos e indiretos, bem como o Livro Profético do Apocalipse que, de forma simbólica, traz profecias referentes ao fim “do velho mundo” e o estabelecimento de um período de regeneração planetária.

CONCLUSÃO:
Neste estudo, buscamos enfocar uma retrospectiva histórica, um panorama da época em que “tudo começou”. Conhecer a origem da Bíblia e a realidade do povo em meio ao qual ela surgiu, se faz necessário para o entendimento de alguns preceitos que, se mal interpretados, podem parecer muito mais do que realmente significam.
Herculano Pires nos esclarece que “pesquisa históricas revelam que os livros da Bíblia têm origem na literatura oral do povo judeu. Só depois do exílio na Babilônia foi que Esdras conseguiu reunir e compilar os livros orais e proclamá-los, em praça pública, como a lei do Judaísmo, ditada por Deus.”
Nosso objetivo, a partir de agora, é centrar nossos estudos no Evangelho Segundo o Espiritismo, baseado, unicamente, no Novo Testamento e, portanto, na figura e na mensagem de Jesus. Oportunamente, incluiremos comentários de Herculano Pires, sobre a visão espírita da Bíblia, onde sustenta a posição de Kardec, quando afirmou que, o que está errado, na Bíblia, é a interpretação que os homens dão a ela.
“Os que souberem levantar o véu da alegoria encontrarão, na Bíblia, os mesmos e eternos princípios esclarecidos, mais tarde, por Jesus e pelo Espírito da Verdade.” (Allan Kardec)

EVANGELHO NO LAR – São textos publicados no blog Mediunidade e Apometria http://mediunidadeeapometria.blogspot.com/ e gentilmente cedidos para nossa coluna