Momentos de aflição e provas

Portas fechadas e uma abertaMomentos de aflição e prova surgem pelo caminho, inesperados, concitando
à disciplina espiritual indispensável ao processo evolutivo do ser.

Águas serenas que são açoitadas por fortes vendavais; paisagens tranqüilas
que se modificam ao império de tempestades violentas; climas de paz
que se convertem em campos de lutas rudes; viagem segura, que se torna
perigosa, objetivos próximos de conquistados, que se perdem de repente;
saúde que cede à enfermidade; amigos dedicados, que vão adiante; adversários
vigorosos, que surgem ameaçadores; problemas econômicos, que aparecem,
constringentes, tantos são os motivos de aflição e prova, que ninguém avança,
na Terra, sem os experimentar.

Enquanto domiciliado no corpo, espírito algum se encontra em segurança, vitorioso,
isento de experiências difíceis, de possíveis insucessos.

Os momentos de prova e aflição constituem recursos de aferição dos valores morais
de cada um, mediante os quais o homem deve adquirir mais valiosas expressões
iluminativas como suportes para futuros investimentos evolutivos.
Por isso, todos somos atingidos por tais métodos de purificação.

Vigia-te. no momento de aflição e prova, a fim de que não compliques, por precipitação, o teu estado íntimo.

Suporta o vendaval do testemunho com serenidade; recebe a adaga da acusação
indébita com humildade; aceita o ácido da reprimenda injusta com nobreza; medita
diante do sofrimento com elevação de sentimentos.

Todos os momentos difíceis cedem lugar a outros; os de paz e compreensão.

Não te desalentes, exatamente quando deves fortalecer-te para a luta.

São os instantes difíceis que as resistências morais devem estar temperadas, suportando as constrições que ameaçam derruir as fortalezas íntimas.

Quando estiveres a ponto de desfalecer, procura refúgio na oração.

Orando, renovar-se-ão tuas paisagens mentais e morais, elevando-te o ânimo e reconfortando- te espiritualmente.

Jesus, que não tinha qualquer dívida a resgatar e que é o Sublime Construtor da
Terra, enquanto conosco não esteve isento dos momentos de aflição, demonstrando, amoroso, como vencê-los a todos, e, ao mesmo tempo, ensinando a técnica de como retirar do aparente mal as proveitosas lições da felicidade.

Considera-Lhe os testemunhos, e, em qualquer momento em que sejas defrontado pela aflição ou prova, enfrenta as circunstâncias e extrai do amor a parte melhor da tua tarefa de santificação.

Joanna de Ângelis/Divaldo Franco
Livro:Oferenda

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Cercas

imagesAlma querida, escuta:
Em tuas horas lentas
De inquietação, insegurança e luta,
Amargura e cansaço,
Ouvimos nós, noutros campos do Espaço,
As falas mudas que nos apresentas.

Muitas vezes, interrogas na oração
De espírito espantado e sofredor: –
“Se tudo o que esperei foi sonho vão,
Por que amarei assim, sem ter amor?
Por que me consagrar a filhos que amo tanto,
Se me ofertam por triste recompensa
A incompreensão imensa
Que me encharca de pranto? Niguém anota as lágrimas que eu tenho
Nem considera a cruz que me agrilhoa?
Que motivo me leva a entregar-me de todo
A certo coração que me espezinha que me cobre de lodo
Depois de ironizar a esperança que eu tinha?
Que razão me conserva a consciência
Presa a determinado compromisso,
Se aqueles que mais amo na existência
Não querem saber disso”?
É um esposo distante, é uma esposa esquecida
Do trabalho de paz que abraçou para a vida,
É um filhinho doente,
Gradeado num leito merencório,
É um parente infeliz em sanatório,
É uma pessoa amiga a gritar-nos em rosto
Acusações sem base em vinagre e censura,
A fazer-nos enfermos de desgosto
Ou cansados de dor, às portas da loucura…
Dói-nos ouvir, no Além, a angústia com que indagas,
Mostrando o coração aberto em chagas…

Ainda que tudo isso te aconteça,
Não fujas, alma boa,
Tolera a quem te fira, ama, perdoa,
Sem que a força do amor se te arrefeça.
Não fossem as prisões que nos guardam no mundo,
Duros grilhões, sem formas definidas,
Voltaríamos nós aos erros de outras vidas
Em delírio profundo…

A prova que te oprime em ásperas refregas,
O peso enorme dos tormentos teus,
E a dor da obrigação nas cruzes que carregas
São as cercas de Deus.

Fonte: Poesia espírito Maria Dolores – Psicografia de Chico Xavier