Cercas

imagesAlma querida, escuta:
Em tuas horas lentas
De inquietação, insegurança e luta,
Amargura e cansaço,
Ouvimos nós, noutros campos do Espaço,
As falas mudas que nos apresentas.

Muitas vezes, interrogas na oração
De espírito espantado e sofredor: –
“Se tudo o que esperei foi sonho vão,
Por que amarei assim, sem ter amor?
Por que me consagrar a filhos que amo tanto,
Se me ofertam por triste recompensa
A incompreensão imensa
Que me encharca de pranto? Niguém anota as lágrimas que eu tenho
Nem considera a cruz que me agrilhoa?
Que motivo me leva a entregar-me de todo
A certo coração que me espezinha que me cobre de lodo
Depois de ironizar a esperança que eu tinha?
Que razão me conserva a consciência
Presa a determinado compromisso,
Se aqueles que mais amo na existência
Não querem saber disso”?
É um esposo distante, é uma esposa esquecida
Do trabalho de paz que abraçou para a vida,
É um filhinho doente,
Gradeado num leito merencório,
É um parente infeliz em sanatório,
É uma pessoa amiga a gritar-nos em rosto
Acusações sem base em vinagre e censura,
A fazer-nos enfermos de desgosto
Ou cansados de dor, às portas da loucura…
Dói-nos ouvir, no Além, a angústia com que indagas,
Mostrando o coração aberto em chagas…

Ainda que tudo isso te aconteça,
Não fujas, alma boa,
Tolera a quem te fira, ama, perdoa,
Sem que a força do amor se te arrefeça.
Não fossem as prisões que nos guardam no mundo,
Duros grilhões, sem formas definidas,
Voltaríamos nós aos erros de outras vidas
Em delírio profundo…

A prova que te oprime em ásperas refregas,
O peso enorme dos tormentos teus,
E a dor da obrigação nas cruzes que carregas
São as cercas de Deus.

Fonte: Poesia espírito Maria Dolores – Psicografia de Chico Xavier

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Ódio

Dependência do ódio

Muitas são as dependências, que nos assolam ao longo da vida. Alguns têm dependências afetivas, e vivem em constante busca que alguém os ame, mesmo sendo amados.

Outros têm dependências de vícios como o tabagismo, e mesmo notando que isto tem prejudicado seu corpo físico, continuam fumando sem se preocupar, com o que sofrerão mais tarde. Existem aqueles que são dependentes de drogas, e encontram-se paralisados pelas químicas mentais, que este veneno provoca em seus cérebros.

Mas outros desenvolvem o que podemos chamar, de “dependência do ódio”.

Criamos uma situação em que não conseguimos, nos desvencilhar de outra pessoa pelo ódio, que a ela enviamos em todos os instantes. Ao permitir que isto ocorra caímos na armadilha, sem notar que estamos primeiramente prejudicando a nós mesmos. Imperioso lembrar sempre, que por mais longe ou perto, que a outra pessoa se encontre, dentro de nós ela está bem perto do nosso coração, que se encontra impregnado de energias destrutivas, que prejudicam principalmente a nós.

Se você sente esta dependência, procure orar pela outra pessoa, para que você se liberte e seja feliz

Pesquisa enviada por Veronique P. de Masredon- Grupo de Apoio Francisco de Assis – GAFA – Fonte:  http://www.gotasdepaz.com.br/

Mágoa

Síndrome alarmante, de desequilíbrio, a presença da mágoa faculta a fixação de graves enfermidades físicas e psíquicas no organismo de quem a agasalha; ferrugem perniciosa que destrói o metal em que se origina. Normalmente se instala nos redutos do amor próprio ferido e paulatinamente se desdobra em seguro processo enfermiço, que termina por vitimar o hospedeiro.

De fácil combate, no início, pode ser expulsa mediante a oração singela e nobre, possuindo, todavia, o recurso de, em habitando os tecidos delicados do sentimento, desdobrar-se em modalidades várias, para sorrateiramente apossar-se de todos os departamentos da emotividade, engendrando cânceres morais irresistíveis. Ao seu lado, instala-se, quase sempre, a aversão, que estimula o ódio, etapa grave do processo destrutivo.

A mágoa, não obstante desgovernar aquele que a vitaliza, emite verdadeiros dardos morbíficos que atingem outras vítimas incautas, aquelas que se fizeram as causadoras conscientes ou não do seu nascimento…Borra sólida, entorpece os canais por onde transita a esperança, impedindo-lhe o ministério consolador.

Hábil, disfarça-se, utilizando-se de argumentos bem urdidos para negar-se ao perdão ou fugir ao dever do esquecimento.Muitas distonias orgânicas são o resultado do veneno da mágoa, que, gerando altas cargas tóxicas sobre a maquinaria mental, produz desequilíbrio no mecanismo psíquico com lamentáveis conseqüências nos aparelhos circulatório, digestivo, nervoso…

O homem é, sem dúvida, aquilo que vitaliza pelo pensamento. Suas idéias, suas aspirações constituem o campo vibratório no qual transita e em cujas fontes se nutre. Estiolando os ideais e espalhando infundadas suspeitas, a mágoa consegue isolar o ressentido, impossibilitando a cooperação dos socorros externos, procedentes de outras pessoas. Caça implacavelmente esses agentes inferiores, que conspiram contra a tua paz. O teu ofensor merece tua compaixão, nunca o teu revide.

Aquele que te persegue sofre desequilíbrio que ignoras e não é justo que te afundes, com ele, no fosso da sua animosidade. Seja qual for a dificuldade que te impulsione à mágoa, reage, mediante a renovação de propósitos, não valorizando ofensas, nem considerando ofensores.

Através do cultivo de pensamentos salutares, de desculpa e perdão, pairarás acima das viciações mentais que agasalham esses miasmas mortíferos que, infelizmente, se alastram pela Terra de hoje, pestilências, danosos, aniquiladores. Se meditares na transitoriedade do mal e na perenidade do bem, não terás outra opção: amar e amar sempre impedindo que a mágoa estabeleça nas fronteiras da tua vida as balizas de sua província infeliz. Saiba+ Divaldo Franco./ Joanna de Angelis – Florações Evangélica – Ed. LEAL