O bem do desapego

Grande armário é o nosso coração e a nossa alma!

Ser desapegado é ser livre, ser liberto

As alegrias que brotam do mundo dos sentidos encerram germes de futuras tristezas; vêm e vão; por isso, ó príncipe, não é nelas que o sábio busca a sua felicidade

É quando nos preparamos para mudar que percebemos a quantidade de coisas que guardamos sem necessidade. Nem sabemos por que o fazemos, mas temos medo de um dia precisar disso ou daquilo e vamos acumulando nossas preciosidades, se assim podemos dizer. Grande armário é o nosso coração e a nossa alma! Imagino que se um dia tivéssemos que “mudar” esse pedacinho de nós, encontraríamos nele muitas coisas desnecessárias das quais tivemos dificuldade para nos desvencilhar. Como nos nossos armários há roupas que nem nos cabem mais, nas gavetas objetos inúteis, há nesse nosso coração certamente sentimentos que há muito deixaram de nos servir, mas que continuam intactos, como se o tempo para eles não tivesse passado. As águas correm nos rios, mas não no nosso interior. Elas levam o que encontram pela frente, mas nós nos apegamos ao inútil e nos impedimos assim de desembocar no grande mar da vida que nos oferece novos horizontes.  Se um dia decidirmos mudar de casa e nos oferecermos uma nova vida, não precisamos deixar tudo e nem carregar tudo.

Um coração sábio saberá escolher o que deve ser aproveitado ou não. Os carinhos que recebemos permanecerão intactos, mesmo se as flores se secaram e as cartas se perderam. Antigas e amareladas mágoas nunca têm utilidade, a não ser para envelhecer e entristecer nossa alma. Coisas que começamos e nunca terminamos ou continuamos, ou desistimos. Não é vergonhoso deixar coisas para trás, pesado mesmo e seguir em frente carregando essas mesmas coisas que nem sabemos onde vamos colocar. Valioso demais é nosso coração para que seja maltratado, para que seja a ele negada a chance de se oferecer novas oportunidades e novos ares.  Cultivar no seu jardim a flor do desapego não significa amar menos ou deixar de apreciar o que de bom a vida nos oferece. Apenas mudar nosso olhar em relação ao mundo e se dizer que as coisas realmente bonitas e importantes ficam gravadas para sempre nas paredes da nossa alma, seja qual for nosso caminho.

O desapego, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensam, não é o esquecimento, a banalização, ou superficialismo, ou até mesmo ignorância. Ser desapegado é ser livre, ser liberto, não significa que não possa amar, pelo contrário, mas sim significa que se algum dia perder este amor conseguirá construir outro. O apego à dor, que muita gente tem, vem precisamente pela cola que tem sobre qualquer coisa, pessoa material, dinheiro, etc.; de tal forma que a perda a influencia negativamente.

Principalmente nos relacionamentos, é necessário perceber que, é escolha das duas partes estarem juntos, logo, quando uma das partes opta por outro caminho, esta outra causa normalmente muita dor, mesmo que o relacionamento não estivesse a funcionar. Esta dor nem sempre está relacionada ao amor, mas sim ao apego também, apego à rotina, ao dia-a-dia com aquela pessoa. Todo processo de ruptura causa algum transtorno, porque é um processo de mudança, é um processo de reconstrução da nossa vida.

As pessoas muito materialistas, como o próprio nome diz, são apegadas a bens materiais, muitas vezes porque só assim preenche determinado vazio que encontram dentro de si. As pessoas muito apegadas a outras pessoas,  amigos, familiares, cônjuge, normalmente são pessoas, que têm problemas em estar sós, ou são emocionalmente dependentes, inseguras e muitas vezes de baixa auto-estima. Estas pessoas muito apegadas, muitas vezes estão caracterizadas pela constante cobrança e exigência de atenção, aos amigos, familiares, cônjuge etc. Quando inseguras reagem com desconfiança se por algum motivo há afastamento, muitas vezes questionam se fizeram algo de errado quando são pouco seguras. Este tipo de comportamento é ainda mais sentido por parte do cônjuge, o que pode levar a uma ruptura no relacionamento.

O desapegar é muitas vezes dar tempo a si mesmo, deixar, as pessoas, os bens materiais  e usufruir do simples, aliás, é um processo que todos nós queremos pelo menos uma vez na vida, “estar sozinho”. Mas, não é estar sozinho no conceito de solidão, o que é normalmente praticado pelas pessoas, mas sim de estar consigo mesmo, com o nosso Eu. Este processo assegura um conhecimento mais próximo da pessoa para com ela mesma, o que, sendo bem feito, poderá aumentar a segurança, auto-estima e o conhecimento do seu Eu. Desapegue de si mesmo, para permitir as mudanças que se avizinham.

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Sobre Roberto Barros

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2 pensamentos sobre “O bem do desapego

  1. Don Nunes disse:

    É a segunda vez que leio esta matéria porque gostei muito dela. É sempre bom agente ser lembrado e guardar a lembrança de que o materialismo é um vício que fixa o espírito humano à terra, impedindo sua evolução espiritual. Obrigado, continue. Don Nunes

  2. Marcelo - Campinas SP disse:

    Obrigado pela mensagem. Muito edificante.
    Grande abraço.

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